Política

Mesmo com dificuldades, prefeitos começam a planejar vacinação em aldeias de MS

Os prefeitos dos municípios com grande população indígena em Mato Grosso do Sul já começaram o planejamento para vacinação da covid-19 nas aldeias, já que o grupo está na primeira fase do plano de imunização. O Estado tem a segunda maior população indígena do Brasil. A primeira etapa de vacinação será destinada aos idosos com […]

Fábio Oruê Publicado em 19/01/2021, às 14h41 - Atualizado em 20/01/2021, às 08h35

Indígenas, durante ritual sagrado para espantar males como o coronavírus. (Foto: Marcos Morandi)
Indígenas, durante ritual sagrado para espantar males como o coronavírus. (Foto: Marcos Morandi) - Indígenas, durante ritual sagrado para espantar males como o coronavírus. (Foto: Marcos Morandi)

Os prefeitos dos municípios com grande população indígena em Mato Grosso do Sul já começaram o planejamento para vacinação da covid-19 nas aldeias, já que o grupo está na primeira fase do plano de imunização. O Estado tem a segunda maior população indígena do Brasil.

A primeira etapa de vacinação será destinada aos idosos com mais de 60 anos que moram em instituições de casas de repouso e asilos, além dos trabalhadores de saúde que estão na linha de frente da Covid-19 e das comunidades indígenas.

O prefeito de Aquidauana, Odilon Ribeiro (PSDB), vai se reunir com sua equipe de saúde para definir como será a vacinação no município, que tem uma população indígena de 12 mil pessoas, em 11 aldeias. “Eu gostei muito do critério adotado e achei bem feito colocar os indígenas nesta primeira fase entre os prioritários”, descreveu. A cidade também tem 5.82 idosos (acima de 60 anos), segundo o IBGE (Instituto Brasileira Geografia e Estatística).

Já em Dourados, com aproximadamente 18 mil indígenas, o prefeito Alan Guedes (PP) também citou que já começou o planejamento para as aldeias e que neste momento aguarda a definição de quantas doses irão ao município, para fazer os ajustes necessários. “Temos a maior reserva indígena perto da cidade e que precisa de muita atenção, em função da doença”. Também haverá o cuidado com os idosos, que chegam a 18.231 no município.

Para o prefeito de Amambai, Edinaldo Luiz de Melo (PSDB), a chegada da vacina será um “divisor de águas” e um marco importante no tratamento da doença, dando esperança para se chegar ao controle da pandemia. “Estamos muito felizes e já em contato com a Sesai [Secretaria Especial de Saúde Indígena] para montar esta estratégia de ação nas comunidades indígenas”. A cidade, de acordo com o IBGE, conta com 3.329 idosos e 8,8 mil indígenas.

Em Miranda a população estimada é de 8 mil indígenas, destes 795 acima de 60 anos. O prefeito Edson Moraes (PSDB) vai se reunir com sua equipe de saúde para também fazer o planejamento desta imunização. No município também são 2.375 idosos.

Por conta da localização das próprias comunidades e entraves burocráticos de órgão federais, a vacinação em todas as aldeias indígenas de MS ainda não está com a programação definida, como adiantou o Jornal Midiamax.

Prioridade

A subsecretaria estadual Políticas Públicas para a População Indígena, Silvana Terena, comemorou a chegada das vacinas e a inclusão dos indígenas já na primeira fase. “Temos a segunda maior população (indígena) do País e a vacina nos deixou muito contente e alegres, porque já perdemos muitas pessoas queridas nas comunidades, entre idosos, jovens e mulheres”, declarou.

Em Mato Grosso do Sul, segundo a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai/MS), a população indígena soma 80.459 habitantes, presentes em 29 municípios. Eles são representados por oito etnias: Guarani, Kaiowá, Terena, Kadwéu, Kinikinaw, Atikun, Ofaié e Guató.

Já a população acima de 60 anos no Estado é de aproximadamente 412 mil pessoas, o que representa 15% da população sul-mato-grossense, conforme dados divulgados pelo IBGE.

Jornal Midiamax