Política

Culpado por Guedes pelo atraso na compra de vacinas, Mandetta diz que ministro foi ‘desonesto’ e ‘mentiroso’

Ex-ministro Luiz Henrique Mandetta se defendeu de acusações do chefe da Economia, que atribui a ele a culpa pelo atraso na compra de vacinas.

Jones Mário Publicado em 17/03/2021, às 14h37 - Atualizado às 14h40

Ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (Foto: Leonardo de França/Midiamax)
Ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (Foto: Leonardo de França/Midiamax) - Ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (Foto: Leonardo de França/Midiamax)

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) disse que o ministro da Economia Paulo Guedes foi “desonesto” e “mentiroso” ao culpá-lo pelo atraso na compra de vacinas contra a covid-19. A resposta foi publicada pela coluna da jornalista Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo.

Antes, Guedes havia dito à CNN Brasil que a aquisição de imunizantes está atrasada desde abril, quando o médico campo-grandense ainda comandava o Ministério da Saúde. Àquela altura, os testes em seres humanos para desenvolvimento de vacinas ainda eram incipientes.

“É inacreditável que o homem responsável pela Economia do País esteja criando uma narrativa mentirosa para disfarçar a própria incompetência, dele e do governo do qual faz parte”, falou Mandetta à colunista da Folha. “Mais postos de saúde, menos postos Ipiranga”, completou, fazendo alusão ao apelido que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deu ao ministro da Economia.

Paulo Guedes ainda afirmou que o então ministro da Saúde tinha R$ 5 bilhões para investir em ações de enfrentamento à pandemia no início dela. O médico, por sua vez, rebateu que os recursos foram usados para adquirir 15 mil leitos de CTI (Centro de Terapia Intensiva), EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e testes que, segundo ele, “o governo não usou e deixou vencer”.

As primeiras negociações para compra de vacinas pelo governo brasileiro remontam a agosto de 2020, quando Mandetta já estava longe da Esplanada dos Ministérios. Naquele mês, a Pfizer ofereceu 70 milhões de doses de seu imunizante em desenvolvimento, proposta que foi negada pela gestão Pazuello-Bolsonaro.

O governo federal decidiu apostar somente nas vacinas da multinacional chinesa Sinovac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, e da AstraZeneca, desenvolvida pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, e que começou a ser fabricada na Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Além de garantir doses insuficientes, os testes e a fase de submissão à aprovação pelas agências sanitárias por estes dois imunizantes sofreram atrasos.

Pazuello anuncia compra de vacinas que só chegarão no segundo semestre

De saída para dar lugar ao cardiologista Marcelo Queiroga, o ministro da Saúde Eduardo Pazuello anunciou, na segunda-feira (15), a compra de 100 milhões de doses da vacina contra covid-19 da Pfizer e outros 38 milhões da Janssen. Mas a previsão de entrega é para o segundo semestre de 2021.

Conforme dados da Our World in Data, o Brasil aplicou, em média, 5,6 doses de vacinas contra a covid-19 a cada 100 habitantes. O índice é só o 18º do ranking mundial, atrás de países como Israel (109,7 doses por 100 habitantes), Reino Unido (39), Chile (38,7), Estados Unidos (33,1), Catar (17,7) e Turquia (13,8).

Ainda segundo a Our World in Data, 11,9 milhões de doses de vacinas foram administradas no Brasil até o início da semana.

Enquanto isso, o País vem quebrando os próprios recordes de números diários de mortes pela doença. Dados de ontem (16) apontam para 2.798 óbitos.

Praticamente todas as capitais brasileiras estão com taxas de ocupação de UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) na casa dos 90%. Mesmo assim, o governo federal insiste em não encampar medidas de restrição à circulação de pessoas para evitar o contágio pelo vírus.

Jornal Midiamax