Política

Contar diz que 'professores militontos tentam lacrar' com pronomes neutros e Kemp reclama de nível baixo na Assembleia

Discussão entre deputados aconteceu durante votação do projeto de lei que quer proibir flexões de gêneros na Língua Portuguesa

Renata Volpe Publicado em 09/09/2021, às 10h32

Pedro Kemp (PT) e Capitão Contar (PSL) discutiram durante sessão remota
Pedro Kemp (PT) e Capitão Contar (PSL) discutiram durante sessão remota - Reprodução

Discussão sobre o projeto de lei que quer proibir a utilização de novas formas de flexão de gênero na Língua Portuguesa em Mato Grosso do Sul, sobrou até para os professores que foram chamados de ‘militontos’ pelo deputado Capitão Contar (PSL), durante sessão nesta quinta-feira (9).

Ao defender a inconstitucionalidade do projeto de lei, o deputado Pedro Kemp (PT), que é professor, afirmou que a mutação da língua não pode ser alvo de censura. “Para mim chega a ser ridículo, não podemos aprovar lei obrigando as pessoas a falarem de um jeito ou de outro”.

Capitão Contar também pediu para debater a proposta, mas criticou o petista. “Eu não entendo essa esquerda, eles gostam de distorcer tudo, até a Língua Portuguesa”.

Contar disse ser um 'mimimi ideológico'. “Primeiro começar com a história de presidenta, agora não pode mais, se tiver gênero, afronta a pessoa, tem que ser neutro, é um mimimi ideológico que não acaba nunca. É uma vergonha o que a esquerda está fazendo com a língua no Brasil”.

O deputado bolsonarista afirmou ainda que é curioso ser contra a proposta de quem dizia ser da pátria educadora. “Não venha com papo de que a língua está em constante evolução, todos sabemos que por trás disso estão questões ideológicas covardemente aplicadas nos bancos escolares, defendida pela ala canhota da sociedade. Se existe algo de inclusivo nessa linguagem é a inclusão de lixo ideológico”.

O parlamentar finalizou dizendo que existem alguns “poucos professores ‘militontos’ tentando lacrar com essas bobagens em algumas escolas do Brasil”.

Por sua vez, Kemp disse que nunca viu uma legislatura de nível tão baixo, como a atual. “Estou no meu 6º mandato, 20 anos de Assembleia e nunca vi um nível tão raso de discussão como agora. Quero ouvir o Marcio (autor do projeto de lei) defender a constitucionalidade do projeto”.

O deputado disse ainda que as pessoas vão falar o que quiserem. “Não vai ser lei que proíba, a língua é viva, se eu quiser falar nós fomo, nós fumo, eu falo, não é questão de direita ou esquerda”.

Jornal Midiamax