Política

Confusão na Câmara após fala de secretário sobre passaporte da vacina em Campo Grande divide deputados

Parlamentares de MS comentaram episódio durante sessão remota

Renata Volpe Publicado em 28/09/2021, às 11h17

Deputados de MS durante sessão remota nesta terça-feira (28)
Deputados de MS durante sessão remota nesta terça-feira (28) - Reprodução

A fala do secretário estadual de Saúde Geraldo Resende durante audiência pública sobre o Passaporte da Vacina na tarde da última segunda-feira (27), teve repercussão entre os deputados estaduais de Mato Grosso do Sul.

Coronel David (sem partido) disse que Resende teve uma fala desastrosa e desrespeitosa, ao classificar o cidadão sul-mato-grossense como ‘nazistas e fascistas'. “Eu nao sou facista, não sou nazista. Entendo que a fala do secretário é tão odiosa que só pode ser objeto do mais puro desprezo e repúdio”.

Segundo o parlamentar, não se pode admitir que uma doença [Covid-19] divida a sociedade. “A doença trouxe tanta dor e sofrimento. Agora vivemos o  momento em que a imunização está acelerada. Não podemos transformar isso na divisão da sociedade entre vacinados e não vacinados, criando uma classe inferior”.

Para rebater o secretário, ainda conforme o deputado, não é preciso xingá-lo. “Não somos contra a vacinação, mas não podemos admitir a ditadura da imposição do passaporte. Vivemos num país livre, é isso que nossa Constituição determina. Fica mais fácil cancelar quem pede reflexão a esse assunto sério e quem quer opor sua opinião de qualquer forma”.

Neno Razuk (PTB) afirmou que o secretário estadual foi autoritário e errou ao chamar a população que participava da audiência, de fascista. “Não entendi a fala do secretário. Acho que ele tem sido autoritário, ele foi descontrolado. A arrogância do nosso secretário me surpreendeu e fiquei triste por isso”.

De acordo com Razuk, Resende deveria ‘parar de ficar preocupado em ser autoritário e cuidar de perto da saúde’. “Ele tem que visitar os hospitais, em Dourados, que falta sonda de alimentação dos pacientes, no Regional, que falta insumo e medicamentos”.

Zé Teixeira (DEM) disse discordar 100% do secretário. “Ele faz um bom trabalho no combate à pandemia, mas ele generalizou a cor verde e amarela”. O deputado afirmou que Resende não foi feliz, porque generalizou. “Todos que estavam na rua no dia 7 de setembro não são baderneiros, mas sim patriotas. Não concordam com o posicionamento do STF, que eu também não concordo”.

Por sua vez, Barbosinha (DEM) avaliou ter presenciado Geraldo Resende chorar algumas vezes, devido às vidas perdidas para a Covid-19. “Geraldo é defensor da vida, ele tem sofrido as amarguras de famílias de pessoas que morreram por falta da vacina. A reação foi a do médico, do sujeito que trabalhou ao longo do período da pandemia. Várias vezes vi ele chorando e se solidarizando com tudo que aconteceu”.

Eduardo Rocha (MDB) defendeu Resende e argumentou que no calor do momento, o secretário se exaltou. “No calor da discussão ele pode ter se exaltado assim como o Queiroga [ministro da Saúde], que fez gesto obsceno para pessoas que estavam vaiando. Acredito que o secretário vai refletir e isso foi no calor de uma discussão”.

Pedro Kemp (PT) também defendeu Resende. Ele esteve na Câmara Municipal ontem, e informou que o secretário foi afrontado o tempo todo. “Grande parte das pessoas que estavam na Câmara, não tem educação. Gritavam, faziam barulho, baderna, o tempo todo, não permitindo que as pessoas falassem, pessoas vaiando gritando, xingando. Turma mal educada que estava lá”, criticou.

Ainda segundo Kemp, quem participou da audiência pública, não tinha conhecimento do projeto de lei. “Tenho certeza que nem conheciam o projeto que estava sendo discutido. A representante da ACICG não leu o projeto, cometeu deslize grande”.

Por fim, o parlamentar disse que o Brasil vive na era da fake news, da desinformação. “O debate foi totalmente prejudicado, as pessoas falam sem conhecimento do projeto. Quero manifestar minha solidariedade a ele [Resende]. Ele foi destratado, quase foi agredido por três vereadores, num ambiente que não tinha espaço para debater racionalmente”.

Jornal Midiamax