Política

‘Não sou tropa de ninguém’: Após barrar teste gratuito de Covid-19, deputado reage

Relator do projeto de lei que barrou testagem gratuita de Covid-19 para população de Mato Grosso do Sul, o deputado Rinaldo Modesto (PSDB), pediu retratação do colega João Henrique Catan (PL) dizendo não ser tropa de ninguém nesta quinta-feira (3), durante sessão online.  Durante reunião na CCJR (Comissão de Constituição, Justiça e Redação) realizada na […]

Renata Volpe Publicado em 03/09/2020, às 10h22 - Atualizado em 04/09/2020, às 11h48

Rinaldo Modesto (PSDB) durante sessão nesta quinta-feira (3). (Reprodução)
Rinaldo Modesto (PSDB) durante sessão nesta quinta-feira (3). (Reprodução) - Rinaldo Modesto (PSDB) durante sessão nesta quinta-feira (3). (Reprodução)

Relator do projeto de lei que barrou testagem gratuita de Covid-19 para população de Mato Grosso do Sul, o deputado Rinaldo Modesto (PSDB), pediu retratação do colega João Henrique Catan (PL) dizendo não ser tropa de ninguém nesta quinta-feira (3), durante sessão online. 

Durante reunião na CCJR (Comissão de Constituição, Justiça e Redação) realizada na manhã da última quarta-feira (2), Rinaldo ao dar seu voto como relator da proposta de Catan, foi contrário citando a legislação sobre doação de sangue no País, que descarta trocar o ato voluntário por remuneração ou benefícios.

Ao Midiamax, Catan afirmou que o Governo do Estado colocou sua ‘tropa’ para barrar o projeto de lei ainda na Comissão.

Por isso, Rinaldo durante a sessão de hoje, pediu retratação a João Henrique. “Não votei por fazer parte do PSDB, meu voto foi consciente baseado na questão legal. Muitos projetos que chegam na CCJR, todos nós aplaudimos, principalmente na pandemia. Reinaldo (Azambuja) não falou comigo (sobre o projeto)”.

O tucano afirmou que todos os parlamentares querem ajudar as pessoas com necessidade. “Mas qual a competência nossa de deputado para dar auxílio para A ou B”, questionou. 

Rinaldo Modesto reclamou ainda não ser a primeira vez que João Henrique expõe a Casa de Leis. “Tropa é um nome pejorativo, eu não faço parte de tropa. Votei contra no projeto dos professores. Eu quero que o senhor se retrate. Não posso admitir de ser tratado como membro de tropa de ninguém”.

Humildade

João Henrique disse ser preciso ter humildade para reconhecer quando ofendeu algum colega. “Peço desculpa ao Rinaldo se eu o ofendi. A minha intenção é falar sobre o porquê não passa o projeto pela CCJR”. 

O parlamentar afirmou ainda ter sentimento compartilhado por outros colegas da Casa de leis, que a CCJR invade o mérito de projetos e não os julga por serem considerados polêmicos. “A Comissão retira do plenário essa faculdade de discutir e aprovar o projeto e faz isso para evitar o desgaste do governo”.

Por fim, Catan alega ter feito a crítica de forma técnica e volta a pedir desculpa a Rinaldo. “Acredito que nossa CCJR entrou no mérito e tirou do plenário a competência, a faculdade de discutir a proposta”.

Não jogo para torcida

Em contrapartida, Modesto falou a João Henrique que ele, na vontade de fazer o melhor, acaba não usando o comportamento chamado ética. “O arquivamento foi por unanimidade, não foi pessoal. Já tive projeto sendo vetado quando era líder do governo na Casa. Não sou hipócrita, não jogo para torcida”.

“Quando o senhor diz que o governo usou tropa, isso é mentira, as palavras magoam e matam. Me perdoe a sinceridade, se eu ficasse em silêncio, concordaria com o que saiu na mídia. Temos que ter cuidado, nossa Casa foi exposta e colegas têm que ter cuidado na medida que se manifestam”.

Relatoria

A proposta do deputado João Henrique foi arquivada após parecer contrário do relator, Rinaldo. Após o voto contrário, os outros quatro membros da Comissão, que tem também o líder do governo, Gerson Claro (PP), e os deputados Renato Câmara (MDB), Lídio Lopes (Patriota) e Evander Vendramini (PP), votaram contra. Todos atuam alinhados ao Executivo.

Na justificativa da proposta, consta o incentivo à doação de sangue, pois, o Hemosul tem enfrentado dificuldades para manter os estoques em níveis regulares e também e pela ampliação na estratégia de testagem para covid-19, algo defendido pelo governo estadual.

O parecer do deputado Professor Rinaldo citou a legislação sobre doação de sangue no País, que descarta trocar o ato voluntário por remuneração ou benefícios.

O tucano argumentou ainda sobre a possibilidade de pessoas sintomáticas para covid-19 procurarem as unidades de coleta interessadas no teste gratuito. Segundo ele, isso expõe “todos a riscos não aconselháveis”, disse.

Jornal Midiamax