Política

Após massacre, bancada de MS alerta para experiência negativa com armas nos EUA

A senadora Simone Tebet (MDB) usou a palavra no plenário do Senado Federal, na tarde desta quarta-feira (13), para falar sobre a liberação do porte e posse de arma no Brasil. A parlamentar não deu sua opinião, mas ressaltou dados dos EUA como um exemplo a não ser seguido. O pensamento é compartilhado pelo deputado […]

Daiany Albuquerque Publicado em 13/03/2019, às 17h08 - Atualizado às 18h19

Foto: Agência Senado
Foto: Agência Senado - Foto: Agência Senado
Após massacre, bancada de MS alerta para experiência negativa com armas nos EUA
Foto: Agência Senado

A senadora Simone Tebet (MDB) usou a palavra no plenário do Senado Federal, na tarde desta quarta-feira (13), para falar sobre a liberação do porte e posse de arma no Brasil. A parlamentar não deu sua opinião, mas ressaltou dados dos EUA como um exemplo a não ser seguido. O pensamento é compartilhado pelo deputado federal Vander Loubet (PT), que em entrevista ao Jornal Midiamax se disse contra a abertura do armamento.

A questão voltou a ser discutida após dois rapazes armados entraram em uma escola de Suzano, região metropolitana de São Paulo, e atirarem contra os alunos e funcionários do local. Ao todo, oito pessoas foram mortas e ao menos 15 ficaram feridas. Os dois atiradores se mataram quando a polícia chegou ao local.

“Até que ponto o porte de armas deve ser aprovado ou não? Nos Estados Unidos, onde cada Estado regulamenta de forma diferente, eles têm pesquisas, têm estudos que mostram que em estados onde tem a autorização de pessoas terem posse e porte de arma, a violência é maior com arma de fogo e o suicídio de crianças e adolescentes também é maior. Aí nós temos que trazer para o Brasil. O Brasil está preparado para ter posse e porte de arma?”, indagou a senadora durante seu discurso no plenário.

Simone não quis dar sua opinião abertamente sobre o assunto por ser presidente da CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado. “São muitas questões que precisam ser respondidas. Como presidente da CCJ não posso adiantar meu posicionamento. Acho que esse debate já está sendo travado e será ainda mais, com mais responsabilidade, no Congresso Nacional daqui para frente”.

Já o deputado, que afirmou ser contra a posse e porte de arma por considerar que “armas de fogo foram feitas para matar”, disse que os Estados Unidos estão entre os países desenvolvidos com a maior taxa de mortes por arma de fogo.

“É o país onde tragédias como essa de hoje mais acontecem. Sinceramente, acho que não pode ser a nossa referência nessa questão”, disse Vander.

Loubet ainda lembrou o assalto praticado contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL), que na época ainda era deputado federal, que aconteceu no Rio de Janeiro. “Vejam o exemplo do próprio presidente Jair Bolsonaro: é militar, foi um sujeito treinado para manusear armas e mesmo assim, quando foi assaltado, não conseguiu reagir e ainda por cima teve a pistola levada pelos criminosos”.

No Senado, Simone ainda sugeriu que o Congresso crie uma Comissão Especial para discutir uma legislação rigorosa de combate aos crimes cibernéticos. “É preciso que não deixemos que a comoção e indignação por mais essa barbárie dobre a esquina, até que se repita em outras escolas, outras famílias, com outras crianças, outros adolescentes”.

Contra o armamento

Além do deputado Vander Loubet, o senador Nelsinho Trad (PSD) e os deputados federais Bia Cavassa (PSDB) e Dagoberto Nogueira (PDT) também afirmaram serem contra a liberação do armamento para a população.

Segundo o senador, o país o precisa “rever a questão do armamento”. “Precisa ser revisto e repensado o uso da arma e investigar os motivos que provocaram a essa tragédia”, afirmou.

Já a psdbista alegou ser contra porque acredita que a liberação da posse de arma “só contribuirá no aumento da ‘justiça feita com as próprias mãos’, elevando a taxa de violência em nosso país”.

Secretário de Segurança durante a gestão do ex-governador Zeca do PT, o deputado federal Dagoberto Nogueira lembrou de seu tempo à frente da pasta para se posicionar. “Não tenho nenhuma dúvida disso, como ex-secretário de segurança pública, tenho dados suficientes para ser contra a flexibilização do porte”.

Jornal Midiamax