Política

Munição utilizada em assassinato de Marielle era de lote da Polícia Federal

Lotes foram vendidos à PF em 2006

Joaquim Padilha Publicado em 16/03/2018, às 15h27

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Lotes foram vendidos à PF em 2006

A munição utilizada pelos criminosos que executaram a vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), na noite desta quarta-feira (14), pertence a dois lotes vendidos à Polícia Federal de Brasília, em 2006, segundo uma perícia da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

O lote da munição UZZ-18, utilizada no crime, era original, ou seja, não foi recarregado. Os tiros partiram de uma pistola calibre 9 mm. Pelo menos quatro disparos atingiram no rosto e mataram Marielle.

Segundo as investigações, o lote das munições foi vendido pela empresa CBC (Companhia Brasileira de Cartunhos). A Polícia Civil e Federal iniciaram agora um trabalho de rastreamento, para identificar a movimentação dos lotes nesses doze anos.

As investigações também apontam que dois carros teriam participado da execução. Um deles teria ficado na rua dos Inválidos, no centro do Rio de Janeiro, por 2h em frente à Casa das Pretas, onde Marielle Franco participava de um evento sobre mulheres negras na política.

Quando Marielle chegou ao local, um homem saiu do carro e falou ao celular. Duas horas depois, quando a vereadora foi embora com a assessora e o motorista, o carro também saiu, Munição utilizada em assassinato de Marielle era de lote da Polícia Federal

No meio do caminho, um segundo veículo entrou na perseguição, emparelhando o veículo de Marielle e efetuando 13 disparos. O motorista Anderson Gomes, 39 anos, também morreu durante a execução.

Vereadora era contra intervenção

Desde o mês passado, a Segurança Pública do Rio está sob o comando do Exército. No mês passado, a vereadora foi nomeada relatora da comissão que acompanhará a intervenção federal na Câmara Municipal.

Marielle era contra a ação do governo federal. No dia 10, ela publicou um texto em suas redes sociais denunciando abusos do 41º batalhão da PM contra moradores da favela de Acari.

Socióloga formada pela PUC-Rio e mestra em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Marielle obteve 46.502 votos na última eleição.

Jornal Midiamax