Procurador afirma que convite foi feito à época do impeachment

O procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa da Lava Jato, afirmou, ao comentar encontro noturno da futura procuradora-geral da República, , com o presidente da República, (PMDB), que foi convidado para uma reunião à noite no Palácio do Jaburu “no dia da votação impeachment” e que recusou o convite.

A declaração foi dada à imprensa antes de Lima proferir palestra sobre investigações anticorrupção no MPF (Ministério Público Federal) em evento organizado pela Amcham (Câmara Americana de Comércio) em São Paulo, nesta segunda-feira (14).

“Tenho para mim que encontros fora da agenda não são ideais para nenhuma situação de um funcionário público. Nós mesmos, no dia da votação do impeachment, fomos convidados a comparecer ao Palácio do Jaburu à noite e nos recusamos, porque entendíamos que não tínhamos nada o que falar com o eventual [novo] presidente do Brasil naquele momento”, contou ele, ao comentar o encontro fora da agenda entre Raquel Dodge e o agora presidente Michel Temer na residência oficial.

Dodge afirmou cinco dias depois do encontro, através de nota, que a audiência constava na sua agenda pública e que teve por objetivo discutir a posse do cargo, que está prevista para o dia 18 de setembro. Ao ser questionado sobre o que achava do encontro, o procurador afirmou não ser “corregedor” do Ministério Público.

“Eu não sou corregedor do MP. Nós tivemos situação semelhante e nos recusamos a comparecer. Temos agora que avaliar as consequências que dentro da política que o Ministério Público vai ter a partir da gestão Dodge”, acrescentou. Procurador da Lava-Jato diz que Temer o convidou para reunião extra-oficial

Ele disse ainda que “todo funcionário público é responsável pelos atos que tem” e que, “infelizmente, não há como fugir da responsabilização das pessoas perante a sociedade”.

Ao ser questionado sobre se as diferenças de postura entre Raquel Dodge e o atual procurador-geral da República, Rodrigo Janot, podem influenciar no andamento das forças-tarefa da , Lima afirmou que cada grupo tem “a inteira responsabilidade pelos atos que tomam” e que também houve muitos conflitos com Janot.

“O procurador-geral pouco pode influenciar nas decisões, nós mesmos tivemos muitos conflitos com o Rodrigo Janot nesse período, uma parte resolvida internamente sem nenhum tipo de problema”, disse. Segundo ele, no entanto, não deve haver nenhuma mudança por parte de Dodge de postura ante o combate à corrupção.

“Dodge tem histórico muito bom e muito forte na área criminal, inclusive no Ministério Público Federal, e a equipe dela é excelente, que atuou inclusive no caso do mensalão. Então não acreditamos que a mudança na essência. O Ministério Público só tem uma atividade: investigar e acusar quem for o responsável pelo crime”, disse.