Política

Militar indígena presidindo Funai gera desconfiança de lideranças de MS

Franklinberg ocupou vaga deixada por Toninho Costa

Aliny Mary Dias Publicado em 09/05/2017, às 17h43

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Franklinberg ocupou vaga deixada por Toninho Costa

Nomeado nesta terça-feira (9) para presidir interinamente a Funai (Fundação Nacional do Índio), o general da reserva Franklinberg Freitas, que tem origens indígenas e é da etnia Mura, não é nome de consenso entre as lideranças de Mato Grosso do Sul ouvidas pelo Jornal Midiamax. Enquanto a maioria pede tempo para conhecer as ideias do militar, tem gente que comemora o fato de um índio ocupar a presidência da fundação pela primeira vez.

Integrante do Conselho do Povo Terena, Lindomar Terena ressaltou o fato do presidente interino ser indígena. No entanto, segundo ele, há movimentação de índios do país para se colocarem contra a nomeação de Freitas porque ele não teria como objetivo fazer a defesa dos povos, mas sim dar andamento a atitudes de política “anti-indígena”.

“A princípio vamos ouvir os posicionamentos dos outros caciques e das outras lideranças para dar um posicionamento sobre a nomeação. Enquanto conselho do povo Terena, não acredito que seremos representados”.

Por outro lado, Elcio Terena, líder dos índios urbanos de Campo Grande, comemorou a nomeação em razão do general da reserva ter raízes indígenas. “O Estado não aceita que os indígenas tenham autonomia para o seu próprio órgão, que defendam os povos indígenas”, disse.

Integrante do Fórum de Caciques do Estado, Juscelino Custódio disse à reportagem que não conhece o novo presidente e que as propostas dele precisam ser avaliadas pelas lideranças de Mato Grosso do Sul. “Acredito que tudo que eles tão querendo colocar na Funai é uma pessoa que não é a favor dos indígenas. Uma vez que o ex-presidente da Funai foi exonerado nesse sentido [de querer fazer demarcações]”, completou.

EXONERAÇÃO

Após ser exonerado, o ex-presidente Toninho Costa fez duras críticas ao governo Federal e atribuiu sua demissão a “ingerências políticas”, em depoimento a imprensa nacional.

Toninho acusou o Ministério da Justiça, administrado pelo líder da bancada ruralista Osmar Serraglio, de o exonerar por “incompetência do governo, que abandonou a Funai e as causas indígenas”.

O ministro da Justiça reagiu e, por meio de nota, disse que “dada a extrema importância que o governo dá à questão indígena”, a Funai precisa de uma “atuação mais ágil e eficiente, o que não vinha acontecendo”.

Jornal Midiamax