Aquino atuou nas duas últimas campanhas do PMDB

No despacho em que negou a suspensão da fiança de R$ 1 milhão imposta ao ex-governador André Puccinelli (PMDB), a Justiça Federal questionou a relação ‘de negócios’ entre o peemedebista e o Rodrigo Aquino, ex-secretário de governo de governo da gestão de Nelsinho Trad (PTB) na Prefeitura de Capital.

Aquino, que também atuou nas duas últimas campanhas majoritárias do PMDB no Estado, de Edson Giroto para a Prefeitura, em 2012, e do próprio Nelsinho, para o governo, em 2014, poderia ser substituído, diz o despacho, por ‘inúmeros profissionais no mercado qualificados para o exercício de tal função’.Justiça estranha André pedir 'gestor de negócios' mesmo com bens bloqueados

“O contrato de prestação de serviço às fls. 443/448 (anexado ao processo penal), sequer está assinado pelo investigado André Puccinelli, o que coloca inclusive em dúvida a existência de fato de um contrato de prestação de serviço”, diz a decisão.

Para a Justiça, a investigação trouxe um ‘robusto corpo de indícios de autoria e materialidade sobejadamente comprovados, foram impostas medidas cautelares ao investigado (Puccinelli)’, e que as medidas restritivas impostas a ele, como a fiança, visam impedir que o ex-governador ‘volte a operacionalizar a pratica de infrações penais com o intuito de obter vantagens pessoais, dissimulando, para tal mister, a existência de patrimônio e capitais, comandando a organização criminosa já existente com os atores já conhecidos ou arregimentando novos parceiros’.

“Ademais, o próprio fato alegado de que o investigado possui um “procurador” e “gestor” de seus negócios (Rodrigo de Paula Aquino) e que necessita de manter contato com ele para continuar gerindo seus negócios, se todos os bens estão bloqueados, para que a necessidade de um gestor?”, questiona juiz federal no despacho.

O prazo para que André Puccinelli levante o valor estipulado, de R$ 1 milhão, vence na próxima segunda-feira (22).

Além de trabalhar ao lado de Nelsinho, Rodrigo Aquino também trabalhou na gestão de André Puccinelli, primeiro na consultoria legislativo do governo, e depois como diretor do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul). A reportagem tentou contato com ele na manhã desta quarta-feira (17) para comentar o caso, mas Aquino não foi encontrado até o fechamento da matéria.