Parlamentares acusam empresas e órgãos de ‘respostas vazias’

Vereadores de Campo Grande acham difícil que haja por parte da administração municipal alguma medida ‘enérgica’ sobre a suspeita de que empresários estariam usando manobras para ‘maquiar’ a frota do transporte coletivo urbano. Alguns chegam a ‘empurrar’ para cima do Ministério Público a responsabilidade por apurar a denúncia publicada pelo Jornal Midiamax.

Segundo as suspeitas, alguns veículos estariam ganhando pintura nova para serem mantidos na frota. Além disso, denúncias antigas, como a dos veículos articulados que são mantidos nas garagens, já são do conhecimento dos parlamentares campo-grandenses, sem efeito.

A Câmara Municipal possui uma comissão para acompanhar o transporte coletivo, mas pouco tem sido feito com relação às constantes reclamações de passageiros sobre as péssimas condições de alguns veículos, por exemplo. Os vereadores afirmam que já tomaram algumas providências em relação às denúncias mas, como não tiveram resposta conclusiva, vão ‘encaminhar o caso para o Ministério Público Estadual, se necessário’.

De acordo com o vereador Chiquinho Telles (PSD), quando as reclamações começaram, no início deste ano, alguns ofícios e requerimentos foram encaminhados para Assetur (Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano), os quais as empresas responderam de modo superficial. “Nos encaminharam repostas vazias. É necessário que providências sejam tomadas, mas não recebi nenhuma nova denúncia. Vou averiguar o caso e acionar a Comissão Permanente de Transporte e Trânsito”.

Vanderlei Cabeludo (PMDB), presidente da Comissão de Transporte, diz que também já encaminhou ofícios e requerimentos, tanto para as empresas, quanto para a Prefeitura. “A comissão está acompanhando o caso, vou verificar como está a real situação, se obtivemos algum tipo de retorno e ver o que é possível fazer. Se necessário vamos encaminhar denúncias para o Ministério Público.”Vereadores devem recorrer ao MPE para investigar denúncia dos ônibus maquiados

Para Chiquinho, a postura das empresas não condiz com os contratos mantidos com o executivo. “É um uma traição o que fazem com o consumidor. Estão ludibriando as pessoas. Essas empresas estão abusando e descumprindo o contrato de serviço e isso tem de ser corrigido”, apontou. Segundo o vereador, o que a Comissão pode exigir é uma varredura nos contratos e, em posse das atuais denúncias, acionar intervenção do Ministério Público Estadual.

As irregularidade contratuais cometidas pelo Consórcio Guaicurus já foi denunciada diversas vezes pelo vereador Eduardo Romero (Rede), que inclusive já fez estudo sobre o transporte coletivo na Capital. Segundo ele apontou, parte do acontece se deve a falta de fiscalização do executivo municipal. Diante das novas denúncias, o parlamentar informou que ainda não teve conhecimento do caso e que estudará providências. 

Denúncia

Nova denúncia feita à equipe de reportagem do Jornal Midiamax mostra que as empresas estariam ‘maquiando’ veículos mais antigos e os apresentando como novos.

A suposta prática não foi confirmada pelas empresas, mas o flagrante expõe que alguns ônibus foram pintados e passam agora por ‘novinhos’. A comprovação está no número dos veículos da Viação Cidade Morena, que continua o mesmo.

Se não bastasse, dois veículos também da Cidade Morena que estavam aposentados foram reativados, segundo denúncia. Enquanto isso, quem sofre são os moradores da Capital, principalmente, os que vivem na periferia.

A Agetran informou que a vistoria é feita anualmente, com base em reclamações de passageiros, ou constatação de problemas pela fiscalização. “De acordo com a lei, os veículos pequenos devem circular durante 10 anos e os grandes (biarticulados) por 15 anos”.

Quanto à denúncia, a agência informou que “o setor de fiscalização vai verificar a situação desses ônibus citados”.