Política

Reunião de Rose investigada foi onde empresa de denunciado ligado a Baird é registrada

Portela foi nomeado por Olarte e mudou para o Paraguai após Coffee Break

Evelin Cáceres Publicado em 19/09/2016, às 13h00

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Portela foi nomeado por Olarte e mudou para o Paraguai após Coffee Break

A reunião tucana do último dia 30 de agosto, quando servidores públicos estaduais teriam sido coagidos a levar “50 pessoas” cada para o comício da candidata à Prefeitura de Campo Grande Rose Modesto (PSDB) foi realizada no endereço oficial de uma das empresas de Fábio Portela Machinsky, denunciado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) na Operação Coffee Break.

Consta na denúncia feita ao MPE-MS (Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul) que o evento foi realizado na Rua da Glória, 144, bairro Morenão. No local, consta para a Junta Comercial de Mato Grosso do Sul a distribuidora da empresa Master MS Arabian Participações e Empreendimentos LTDA, que tem como sócio-administrador Fábio Portela Machinsky.

A empresa, no entanto, se mudou do endereço há aproximadamente três anos, segundo o proprietário do imóvel, que o alugou por R$ 20 mil para abrigar atividades de campanha eleitoral de Rose Modesto. A locação está devidamente registrada no TRE-MS, segundo a assessoria jurídica da candidatura tucana.

Apesar de ter comprado empresa e se mudado para o Paraguai após a denúncia do MPE-MS sobre a operação ao TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), Fábio ainda figura como sócio da empresa, segundo informação confirmada pelo banco de dados da Junta Comercial de Mato Grosso do Sul.

De acordo com as fotos anexadas no processo, o local usado seria uma sala improvisada, com cadeiras de plástico. A coligação Juntos por Campo Grande informou ao Jornal Midiamax, por meio de nota, que “o uso do imóvel localizado na Rua da Glória, número 144, Centro, em Campo Grande, MS, não foi cedido, mas contratado pela Campanha, conforme prestação de contas já enviada à Justiça Eleitoral”.

Contratos milionários

Também chamado de “Fabão” na gravações, o empresário seria representante de João Roberto Baird, dono da então Itel Informática, conforme aponta a investigação do Ministério Público.

Fábio, o então vice-prefeito Gilmar Olarte (Pros) e o então presidente da Câmara, vereador Mario César (PMDB), teriam prometido vantagens indevidas a vereadores para cassar o prefeito Alcides Bernal (PP), segundo denúncia do Gaeco.

Olarte, que após a cassação assumiu a Prefeitura em março de 2014, nomeou no mês seguinte, por meio do diário oficial do dia 2 de abril, o empresário Fábio para exercer cargo em comissão de gerente da Gerência de Administração e Finanças, no IMTI (Instituto Municipal de Tecnologia da Informação).

O ex-diretor mudou-se para o Paraguai, tornou-se cidadão do país e abriu empresa da qual é presidente por ter investido 434 milhões de guaranis, o equivalente a R$ 256,9 mil.

De acordo com a defesa do réu, em outubro de 2015, quando a Operação Coffee Break já havia estourado, ele comprou 50% das quotas representativas do capital social da sociedade 'Rave Sociedad de Responsabilidad Limitada'.

O motivo, segundo a defesa no processo da Operação Coffee Break, foi a crise econômica pela qual o Brasil passava. “Antevendo o cenário econômico nefasto para o qual nosso país lamentavelmente vinha se encaminhando a passos largos já ao longo do último semestre de 2015 — e em razão disso compelido a buscar novas alternativas profissionais/comerciais que lhe tornasse possível continuar provendo o sustendo de sua família, desempenhando de maneira condigna seu papel de marido e de pai”.

Em dezembro Portela conseguiu identidade civil paraguaia e logo depois converteu a empresa para “Rave Sociedad Anonima” da qual se tornou presidente em abril. No dia 6 de junho se mudou para o Paraguai, apesar de manter os vínculos com a empresa campo-grandense onde ocorreu a reunião de campanha de Rose Modesto. (Texto editado às 15 horas de 21 de setembro de 2016, para acréscimo de informações às quais a reportagem teve acesso por meio de representação eleitoral da candidata Rose Modesto que NÃO CONSTAVAM das respostas oficiais oferecidas anteriormente pela assessoria de imprensa, conforme contatos devidamente documentados entre o Jornal Midiamax e a equipe de Rose Modesto. O Midiamax reforça seu compromisso com a qualidade e credibilidade jornalística e reitera que TODAS as informações previamente prestadas pela assessoria foram devidamente inseridas na notícia desde a publicação inicial.)

Jornal Midiamax