Ministro negou constrangimento com divulgação de conversa

Flagrado em uma conversa com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, o novo ministro do planejamento e senador licenciado, Romero Jucá (PMDB-RR), falou à Rádio CBN sobre o diálogo comprometedor e negou que se referia à Operação Lava Jato.

“Quando disse em estancar sangria não me referia à Lava-jato. Falava sobre a economia do país e entendia que o governo Dilma tinha se exaurido. Entendia que o governo Temer teria condição de construir outro eixo na política econômica e social para o país mudar de pauta”, disse Jucá durante entrevista à rádio CBN.Jucá admite diálogo, acusa jornal de ‘pinçar frases’ e nega renunciar ao cargo

Presidente nacional do PMDB, Jucá é alvo de inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal), e negou que tenha tentando cooptar ministros da mais alta Corte do país na tentativa de interromper as investigações da Lava Jato. Jucá também afirmou que o Jornal Folha de São Paulo ‘pinçou’ frases do diálogo, que teriam intenção de incriminá-lo.

“Eu defendo e o Michel (Temer) também que haja aceleração da investigação para delimitar quem é culpado e quem não é culpado, quais são os crimes, quais políticos envolvidos ou não, porque hoje, ao ser mencionado alguém, parece que todo mundo tem o mesmo tipo de envolvimento, mas não é verdade. O Ministério Público, quando diz que é citado, coloca uma nuvem negra”, disse o peemedebista.

Sobre ter chamado o juiz Sérgio Moro de ‘Torre de Londres’, em referência ao castelo inglês palco de torturas nos séculos XV e XVI, o ministro justificou dizendo que tanto o magistrado quanto o Ministério Público agem de forma a fazer com que prisões resultem em confissões e depoimentos.

“Em alguns momentos tem agido com uma dureza que tem criado esse tipo de pressão e, algumas vezes, envolvem outras pessoas que não tem nada a ver e acabam mencionados, como acontece na delação do Delcídio (do Amaral). Isso deve ser delimitado com provas, para não virar uma metralhadora giratória que acuse todo mundo sem nenhum tipo de indício”, alegou, citando a condução coercitiva do ex-presidente Lula como exemplo dos ‘exageros’ de Moro.

Eleito presidente do PMDB em substituição a Michel Temer, Jucá explicou que a referência ao ‘esquema’ que comprometeria o senador tucano Aécio Neves, seria apenas a articulação que elegeu o mineiro presidente da Câmara dos Deputados. Ele também negou constrangimento para fazê-lo deixar o Ministério do Planejamento.

Ao Jornal O Estado de São Paulo, o advogado do ministro, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que o diálogo foi ‘totalmente republicano’, e que seu cliente jamais tentou interferir no curso das investigações dos esquemas de corrupção na Petrobras.