Política

Jato apreendido em operação da PF é ‘velho conhecido’ de políticos de MS

Aeronave era conhecida como 'Cheia de Charme'

Guilherme Cavalcante Publicado em 10/05/2016, às 23h41 - Atualizado em 11/03/2020, às 09h37

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Aeronave era conhecida como 'Cheia de Charme'

Um das aeronaves apreendidas pela Polícia Federal nesta segunda-feira (10), durante a operação Fazendas de Lama (segunda fase da Lama Asfáltica), é ilustre conhecida e já foi até disputada por políticos sul-mato-grossenses, entre eles Andre Puccinelli (PMDB), Edson Giroto (PR) e o vice-prefeito afastado,  Gilmar Olarte (PROS): trata-se de jato Embraer, ano 2011, prefixo PP-JJB… Ou 'Cheia de Charme', nome pelo qual ficou mais conhecido no meio.

A aeronave, propriedade do empresário João Baird (ao menos no papel – a Polícia Federal sugere que o avião seja de João Baird), foi citada na primeira fase da operação, assim como outro jato, pertencente (este sim) ao empreiteiro João Amorim. 'Cheia de Charme', no caso, era frequentemente usada pelo ex-governador André Puccinelli (PMDB) e seus fiéis escudeiros. Com capacidade de até seis passageiros, contando tripulação, um modelo semelhante 'zero km' não sai por menos de US$ 4 milhões.

Legalmente, o jato PP-JJB pertence à Itel Informática, de Baird – está em nome do Banco do Brasil e a Itel consta como operadora da aeronave. Entre os próprios usuários ‘ilustres’, no entanto, é Amorim, dono da Proteco Construções Ltda. e apontado na Operação Lama Asfáltica como chefe de um grande esquema para desviar verbas públicas, o citado como proprietário do avião e responsável por ajeitar frequentes viagens para os amigos mais próximos.

Escutas

Em uma das conversas interceptadas pela PF, em fevereiro do ano passado, Giroto diz para Amorim que tinha viajado com Puccinelli a Brasília “no seu avião”. Dados coletados pelos agentes mostram que o jato usado na ocasião foi o Embraer PP-JJB.

Jato apreendido em operação da PF é 'velho conhecido' de políticos de MSUma semana antes, a PF identifica que o jatinho tinha sido usado em outra viagem de Giroto e Puccinelli a Brasília. Na ocasião, em conversa com o piloto, ele e João Amorim referem-se aos passageiros usando apenas a primeira letra de seus nomes. Gerson Mauro Martins, o piloto do jato, diz estar em Brasília “com nosso irmão, o chefe maior”, durante tal conversa com Amorim. “Mas é G ou A?”, teria perguntado o interlocutor: “é o G e o A”, responde o funcionário, em datas nas quais os federais confirmaram que Puccinelli estava na capital federal.

Já em dezembro de 2014, nos últimos dias do governo de Puccinelli, Giroto e Amorim embarcam no jatinho rumo a Presidente Prudente (SP). Viajam no começo da manhã, fazem uma reunião no saguão do aeroporto no interior paulista e retornam a Campo Grande, onde chegam no começo da tarde, tudo registrado pelos agentes federais.

Em certo ponto de um dos relatórios, os agentes lembram seus superiores que o uso de avião particular pelo então deputado André Vargas (então do PT-PR) resultou na cassação do parlamentar, no fim do ano passado. Uma aeronave foi emprestada na ocasião pelo doleiro Alberto Youssef, um dos pivôs da Operação Lava Jato.

A PF revela ainda que a Itel Informática, teoricamente a dona do jatinho, é de Baird, mas sua representante legal é Elza Cristina Araújo dos Santos, por sua vez funcionária de Amorim. A conclusão nos relatórios dos agentes da PF é de que a aeronave pertence à dupla Baird e Amorim, sendo usada constantemente por políticos sul-mato-grossenses, mas é o dono da Proteco Construções Ltda. quem costuma dar as ordens referentes ao uso do equipamento.

Jornal Midiamax