Política

Dilma: ‘Tenho orgulho das escolhas que fiz; não vou para debaixo do tapete’

Voltou a classificar as denúncias como "frágeis"

Diego Alves Publicado em 07/05/2016, às 01h10

None
8k4t1l2hwyfapljgy7joztvac.jpg

Voltou a classificar as denúncias como "frágeis"

Horas após a aprovação na comissão especial do Senado do parecer que recomenda a admissibilidade do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, a presidente voltou a classificar as denúncias contra ela como "frágeis". Em visita a uma estação de bombeamento do rio São Francisco em Cabrobó (PE), nesta sexta-feira (6), a petista afirmou que "não irá para debaixo do tapete".

"Sempre quiseram que eu renunciasse. Sabe por quê? Você levanta o tapete e esconde a sujeira. Se eu renunciar, vou para debaixo do tapete. E eu não vou para debaixo do tapete. Eu vou ficar brigando, porque sou a prova da injustiça. Eles estão condenando neste impeachment uma pessoa inocente e não há nada mais grave do que condenar uma pessoa inocente", declarou a presidente.

Mais uma vez, Dilma criticou as denúncias apresentadas contra ela, afirmando que o processo de impeachment é, na verdade, uma tentativa de eleição indireta para a Presidência, e que “tem imenso orgulho das escolhas” que fez no governo. "Tenho clareza que esse golpe tem um motivo. O Brasil, nesses 13 anos, mudou. As pessoas ganharam autoestima e dignidade", disse.

Fazendo um balanço de algumas políticas do seu governo, a presidente falou que as cotas nas universidades permitiram que “a cor do Brasil” aparecesse nos centros de ensino, que milhões de jovens fizeram cursos técnicos e que o “lado certo da história é o lado do povo deste País”.

“Ninguém votou em mim pelos meus belos olhos, apesar de eles serem muito belos" – Dilma Rousseff

"Ninguém votou em mim pelos meus belos olhos, apesar de eles serem muito belos. Votaram em mim porque eu tinha compromissos. Porque eu tinha um programa e nele estava escrito: o Bolsa Família é muito importante, o Minha Casa, Minha Vida é um programa que garante dignidade e lar para as pessoas."

Transposição do São Francisco

Às vésperas de se ver afastada da Presidência, Dilma afirmou na visita que ficará “muito triste” e que o seu coração “vai ficar partido” caso não consiga inaugurar a transposição do Rio São Francisco. Ela lembrou que seu governo e o de Luiz Inácio Lula da Silva "foram responsáveis pela mudança da vida de muitos brasileiros" e que a transposição foi feita com esforço de muitas pessoas.

"Se tiver uma coisa que eu vou ficar muito triste na minha vida é não ver aqui o dia que a dona Maria ou o seu João abrir a torneira e a água escorrer, e eu não estar aqui para comemorar com vocês. Quero dizer que meu coração vai ficar partido, porque é uma grande injustiça. Nós lutamos para fazer essa obra”, discursou.

“Nunca, no Brasil, tinham feito uma obra desse tamanho. Nós tivemos de aprender a fazer. Esta é uma obra que muita gente segurou no braço e, se ela hoje está neste ponto em que está, é porque todos nós tivemos imenso empenho, grande trabalho e dedicação imensa."

Com o objetivo de beneficiar 12 milhões de pessoas, a transposição do Rio São Francisco tem 477 quilômetros de extensão e vai beneficiar 390 municípios dos Estados da Paraíba, de Pernambuco, do Ceará e do Rio Grande do Norte. Atualmente, 86,3% das obras estão concluídas – e a previsão é que sejam finalizadas em dezembro deste ano.

Jornal Midiamax