Política

Conselheiros divergem sobre posição da Unesco quanto à cobertura do impeachment

O tema foi debatido em reunião

Diego Alves Publicado em 03/05/2016, às 03h05

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O tema foi debatido em reunião

Representantes do Conselho de Comunicação Social do Congresso divergiram nesta segunda-feira (02) sobre um possível posicionamento da Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) durante a cobertura do impeachment.

A agência é responsável pela defesa da liberdade de expressão no âmbito multilateral e recebe denúncias de constrangimento a jornalistas. A partir daí, a entidade elabora notas de repúdio a violações de direitos. O tema foi debatido em reunião que homenageou o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (3 de maio).

O conselheiro e presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Augusto Schröder, reivindicou posição assertiva da agência, responsável pela defesa da liberdade de expressão no âmbito multilateral.

“Gostaria que a Unesco perguntasse como estão se sentindo os jornalistas em um país em que a profissão está no centro de articulação do impeachment”, disse ao enfatizar que a imparcialidade do jornalismo brasileiro foi tema da mídia internacional.

Segundo ele, as grandes empresas de comunicação unificaram discurso a favor do processo, o que constrangeu jornalistas e cerceou o exercício profissional. “Os sindicatos dos jornalistas se ressentem de uma visão de liberdade de imprensa que leva em conta quem faz a comunicação (empresa) e quase nunca se pergunta se naquela empresa o jornalista está trabalhando de forma livre”, disse.

Isenção
Já o conselheiro José Francisco Lima disse que a cobertura jornalística foi isenta e elogiou a transmissão das sessões pelas TVs da Câmara e do Senado. “Só se a pessoa realmente não se interessar pelo debate, que às vezes é cansativo, o jargão é complicado, as defesas e as acusações usam termos que às vezes são impossíveis de serem interpretados”, disse.

O coordenador de comunicação e informação da Unesco, Adauto Soares, afirmou que o posicionamento da entidade respeita liberdade, pluralismo e independência da imprensa. “A mídia deve ser independente, os jornalistas não devem receber pressões externas sobre o que devem escrever”. No entanto, ele ponderou que o sistema ONU não pode influenciar acontecimentos nacionais.

“O sistema acompanha a maturidade democrática dos países membros, é esse o nosso mandato. Manifestações contra ou a favor do que esteja acontecendo dentro das redações não é de nossa competência”, sustentou.

Ele informou que compete à Unesco acolher denúncias sobre cerceamento da liberdade de imprensa e emitir notas de repúdio. Ainda segundo ele, “o sistema ONU está acompanhando” a evolução do processo de impeachment e pode se posicionar quando houver grave ofensa a direitos humanos.

Por iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1993, o dia 3 de maio foi declarado o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A data celebra o direito de todos os profissionais da mídia de investigar e publicar informações de forma livre. Tem também o objetivo de defender o direito ao acesso à informação e alertar as autoridades sobre perseguições contra os jornalistas em seu exercício profissional.

Jornal Midiamax