Política

Confira quem são os outros três presos com Delcídio do Amaral

Chefe de gabinete recebe R$ 22 mil 

Evelin Cáceres Publicado em 25/11/2015, às 12h45

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Chefe de gabinete recebe R$ 22 mil 

O STF (Supremo Tribunal Federal) autorizou a Polícia Federal a deflagrar uma operação nesta quarta-feira (25), que levou a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT), líder do governo no Senado, investigado pela Operação Lava Jato e outras três pessoas. De acordo com o áudio interceptado pela Polícia, o senador teria oferecido rota de fuga a Nestor Cerveró por terra pelo Paraguai e depois para a Espanha, em um jatinho sem escalas. 

O advogado Édson Ribeiro, que defendia Cerveró, estaria atendendo a interesses do Senador, segundo o ministro Teori Zavaski, do STF. Delcídio teria oferecido dinheiro para que Cerveró não fechasse o acordo de delação premiada, além de R$ 4 milhões em honorários ao seu advogado.

André Esteves teria em seu poder a minuta de acordo de delação de Cerveró, além de canal de vazamento na Lava Jato. Em documento ao STF, a PGR apontou que o banqueiro estaria disposto a obter informações por meios ilícitos para que investigação da Lava Jato não atingisse o BTG Pactual.

O banqueiro André Esteves

É presidente do BTG Pactual, é um dos detidos. De acordo com o Ministério Público Federal, ele também foi citado no áudio entre Delcídio e Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras. O senador teria proposto uma rota de fuga para Cerveró, para que ele não revelasse às investigações irregularidades do esquema de desvio de recursos envolvendo a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos . A conversa teria sido gravada pelo filho do ex-diretor.

De acordo com o ranking "Bilionários do Mundo" da revista Forbes, Esteves está classificado na posição de número 628. Em 01 de outubro de 2015, seu patrimônio era US $ 2,1 bilhões. Entre os bilionários brasileiros, Esteves está posicionado na 13ª colocação, com patrimônio de R$ 9 bilhões.

Graduado em Ciências da Computação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, André Esteves começou a carreira no Banco Pactual, em 1989, quando tinha 21 anos e ainda estava na faculdade. Quatro anos depois, tornou-se sócio da instituição e, em 1995, assumiu a chefia da área de renda fixa. Durante o breve período em que o banco foi controlado pelo UBS A.G., foi o CEO do UBS Pactual.

No fim de 2008, deixou o UBS para fundar a BTG – a sigla vem de “Back to the game”, ou “de volta ao jogo”. Com 37 anos, André Esteves era o mais jovem bilionário brasileiro.

Por meio da BTG, recomprou o Pactual, do UBS, por 2,5 bilhões de dólares, após ele ter sido vendido por 3,1 bilhões de dólares para os suíços. Com isso, seu pequeno banco de investimentos, com ativos de 3,3 bilhões de dólares, comprava um gigante com 57 bilhões reais de recursos sob gestão de ativos totais de 14 bilhões de reais, segundo a Fundação Estudar. A assessoria do BTG emitiu uma nota sobre a prisão:

“O BTG Pactual esclarece que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários e vai colaborar com as investigações.”

Diogo Ferreira Rodrigues

O advogado é chefe de gabinete de Delcídio do Amaral. Ele é pós-graduado em Direito Legislativo pela Universidade do Legislativo Brasileiro em convênio com a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. Diogo também viaja com Delcídio por meio de passagens financiadas pelo Senado, onde recebe salário de R$ 22 mil de remuneração bruta.

Edson Siqueira Ribeiro Filho

 Advogado defende o ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró, preso na Lava Jato desde o ano passado. Ele foi multado em maio deste ano em 55 salários mínimos (R$ 43,3 mil) por ter deixado de apresentar as chamadas alegações finais no prazo determinado. Segundo o juiz Sergio Fernando Moro, o advogado Edson de Siqueira Ribeiro Filho foi “omisso” e “aparentemente” adotou “uma estratégia processual reprovável”, atrasando o julgamento enquanto seu cliente está preso.

A decisão foi proferida no dia 22 de maio, dois dias depois que se esgotou o período para apresentar a defesa. No dia anterior, o juiz já havia definido a demora como “reprovável”. Segundo ele, a secretaria da 13ª Vara Federal de Curitiba tentou “por diversas vezes” contatar o advogado, por telefone fixo e por celular, sem sucesso.

Esta é a primeira vez que um senador com mandato em exercício é preso. A PF também fez busca e apreensão no gabinete do petista, no Senado, em Brasília, e nos estados do Rio, de São Paulo e de Mato Grosso do Sul.

A prisão de Delcídio é resultado de uma operação deflagrada hoje pela Polícia Federal, que também tem como alvo empresários. As ações foram autorizadas pelo Supremo. Não se trata de uma fase da Lava Jato tocada em Curitiba, na 1ª instância.

Delcidio ofereceu rota de fuga para Cerveró

O senador foi preso no hotel Golden Tulip, onde mora em Brasília, mesmo local onde na terça-feira, 24, a PF prende o empresário José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Delcídio do Amaral foi citado na delação do lobista Fernando Baiano, apontado pela Lava Jato como operador de propinas no esquema de corrupção instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014. Fernando Baiano disse que Delcídio do Amaral teria recebido US$ 1,5 milhão em espécie na operação de compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

Jornal Midiamax