Política

Presidente do PMDB critica eventual apoio isolado de Nelsinho a Dilma

Demonstrando alinhamento com Puccinelli, Esacheu diz que prefeito tem que se submeter à vontade do PMDB

Arquivo Publicado em 25/01/2010, às 02h55

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Demonstrando alinhamento com Puccinelli, Esacheu diz que prefeito tem que se submeter à vontade do PMDB

O anúncio, divulgado em primeira mão, ontem, pelo Midiamax, sobre o virtual apoio do prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho (PMDB), à candidatura da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef (PT), a nove meses das eleições, já movimenta o bastidor peemedebista. Para o presidente do diretório estadual da sigla, Esacheu Nascimento, o prefeito “é livre para se expressar, mas tem que se submeter à vontade da maioria do partido que é ter candidato próprio”.

O posicionamento político de Trad na sucessão presidencial veio à tona nesta semana diante da liberação, pelo governo federal, de linha de crédito R$ 55 milhões a prefeitura de Campo Grande, recurso que já pode ser gasto com o projeto conhecido como mobilidade urbana. Essa verba foi disponibilizada até agora, ano de eleição, para apenas duas prefeituras do país, uma delas Campo Grande. A outra, também comandada por um peemedebista, é a cidade do Rio de Janeiro.

A liberação da verba, conforme apurou a reportagem, faz parte de acordo político no qual o prefeito, em retribuição ao canal direto com o Palácio do Planalto, pediria votos para a candidata do PT à presidência, a ministra Dilma Rousseff. Além disso, Nelsinho não deixaria a prefeitura para disputar o Senado, o que soa como música para o grupo que apoia a candidatura do ex-governador Zeca ao governo do Estado. No sábado, por telefone, o prefeito confirmou o financiamento, negou o acordo político mas deu a entender que deve caminhar ao lado da petista para a presidência, ressaltando que eleição estadual e presidencial são coisas distintas.

Diante deste cenário, Esacheu Nascimento critica Nelson Trad Filho e sinaliza que a vontade do PMDB de Mato Grosso do Sul deve ser a mesma do governador André Puccinelli. “Defendemos que os partidos políticos têm que se apresentar para a população. Se for para o segundo turno, faz composição. Não se admite mais negociar por troca de recursos, ou, por orçamentos ou por espaços em rádio e televisão. Isso tem levado à frustração a sociedade brasileira”, dispara.

“Infelizmente o prefeito não participou dos debates do partido. Foram dez reuniões regionais, um congresso estadual e uma convenção”, alfineta.

Indagado se a postura de Nelson Trad Filho atrapalharia a candidatura à reeleição de Puccinelli, Nascimento afirma que não, mas é preciso que haja uma disciplina partidária. “Ele [Nelsinho] tem que submeter sua opinião à discussão dentro do partido”.

Conjecturas

Mas, ele abre um parêntese. Em caso de segundo turno, há sim possibilidade de alianças. Neste caso, Nascimento não descarta apoiar a ministra Dilma Roussef, se ela estiver no segundo turno, ou receber o apoio da petista, caso ela não esteja na disputa final.

Um exemplo do desejo de ter candidatura própria e não ficar à reboque do PT é a movimentação do pré-candidato à presidência pelo PMDB, o governador do Paraná, Roberto Requião. Segundo Esacheu Nascimento, ele já confirmou que estará em Campo Grande na sexta-feira (29), quando participará de reuniões com os dirigentes estaduais. “Até agora ele [Requião] é o único nome do partido que demonstrou interesse. Se ele sair candidato, o PMDB de MS vai apoiá-lo”, conjectura Nascimento.

“O André [governador] é claro e já disse que é pela candidatura própria, mas ainda está cedo e vamos acompanhar a direção do partido”. Esacheu Nascimento admite que os nomes da ministra Dilma Roussef e do governador de São Paulo, José Serra, são hoje os dois mais expressivos, mas tudo vai depender do que o PMDB vir a decidir, finaliza dizendo que além de Mato Grosso do Sul o PMDB do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Goiás querem candidato próprio.

Ele considera um desperdício o presidente da Câmara Federal, Michel Temer (PMDB) manifestar desejo de ser o vice da ministra Dilma. Outro nome forte para disputar de igual para igual com a candidata do presidente Lula, segundo Esacheu Nascimento, é o do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que também já está afinado com a candidatura petista.

Jornal Midiamax