Cerca de três meses após começar a funcionar plenamente, um acidente entre um veículo Gol e um foi registrado no corredor do transporte coletivo da Rua Rui Barbosa, no início da tarde desta quinta-feira (23), em Campo Grande.

De acordo com o filho da motorista do carro de passeio, de 25 anos, a mãe, de 59 anos, entrou na faixa destinada ao corredor, pois ia virar na Rua Dom Aquino e foi atingida por atrás pelo ônibus. Com o impacto, o carro foi lançado para o lado da calçada e atingiu o guard rail.

A estrutura e um banco de concreto foram danificados. Vale ressaltar que carros e motos podem adentrar a faixa apenas para realizar a conversão – parar ou estacionar é proibido.

“Na hora que a gente entrou no corredor de ônibus, não sei se ela [motorista] não viu ou o ônibus que não viu ela, por ser alto, mas acertou em cheio na traseira”, descreve ele ao Jornal Midiamax. O acidente foi após a Rua Barão do Rio Branco.

Havia ainda uma terceira passageira no carro, mas ninguém ficou ferido. O ônibus não estava operando e, por isso, não tinha passageiros embarcados.

ônibus
Ônibus estava sem passageiros (Foto: Kísie Ainoã/ Jornal Midiamax)

Segundo o homem, a mãe dirigia a 30 km/h. A faixa do corredor de ônibus ficou interditada por alguns minutos, até que o Gol fosse retirado. O Juizado de está no local para tratar com as partes.

Com as mudanças no trânsito impostas pela implantação dos corredores, os ônibus transitam à esquerda, em uma faixa exclusiva destinada para os coletivos. A ideia é que, com a faixa livre, o tempo de viagem dos ônibus diminua.

A já custou R$ 18,9 milhões aos cofres públicos, e a construtora responsável ganhou um extra de R$ 1,5 milhão.

Corredor é alvo de críticas

Ao longo da Rui Barbosa, pontões instalados à esquerda da via, e que também geram dúvidas para os motoristas, fazem com que os motoristas do transporte público executem um ‘zigue-zague’ no trânsito, já que em alguns trechos eles precisam passar por pontos tradicionais à direita e, onde há os pontões novos, devem acessar a faixa da esquerda.

Perda de estacionamento, falta de segurança para pedestres e lentidão na via são só alguns dos problemas citados por comerciantes, pedestres e motoristas.

Entre as dúvidas de quem passa pelos corredores estão: por que as estações de embarque estão posicionadas do lado esquerdo da faixa de trânsito e não nas calçadas ou no lado direito das vias, onde tradicionalmente estão os pontos de ônibus? Por que a instalação dessas grandes estruturas em uma rua que já era estreita na região central?

Raimundo Gomes, de 65 anos, relembra que achou estranha a movimentação de um ônibus de transporte coletivo que passou para a pista do lado esquerdo da rua e depois retornou para a faixa da direita. Na Rui Barbosa, são cinco “pontões” e o corredor exclusivo de ônibus.

Obras adiadas

De acordo com a Prefeitura de Campo Grande, 152 ônibus de 44 diferentes linhas circulam pelos 3,8 km que iniciam no Terminal Morenão e terminam na Avenida Mato Grosso. As obras tiveram início em 2021 e a entrega foi adiada algumas vezes.

Nos dias úteis, a faixa exclusiva para o transporte coletivo recebe média de 986 viagens, com expectativa de redução no tempo de percurso dos ônibus e de espera dos usuários. 

*Matéria alterada às 16h49 para correção de informação.