Vizinhos da residência onde morava o menino, de 2 anos, que está em coma na Santa Casa após supostas agressões, presenciaram o padrasto correndo com a criança já desacordada pela rua do Jardim Colibri, em Campo Grande, no dia 23 de janeiro. 

O padrasto, de 24 anos, e a mãe, de 19, foram presos temporariamente nessa quinta-feira (1º), acusados pelas agressões da criança, que sofreu traumatismo craniano, lesões no pulmão, fígado e apresentava líquido no abdômen.

Nos últimos dias, a família morava em uma casa de paredes de madeira, que estava à venda no Jardim Colibri, local onde teriam ocorrido as agressões no último dia 23. Conforme a polícia, eles viviam em situação de rua, então invadiam residências abandonadas para dormir.

Vizinhos – que não quiseram se identificar – conversaram com o Jornal Midiamax nesta manhã de sexta-feira (2). Eles acreditam que o casal pulava o muro ao lado para acessar a residência e teria arrombado a porta.

Um dos vizinhos comentou que viu a das crianças passando pela rua em direção à casa na manhã de terça-feira (23). Depois, o padrasto teria retornado da casa com o menino no colo, aparentemente desacordado. 

“Parecia estar desmaiado porque ele nem chorava. Depois disso, a mulher veio atrás do companheiro e ele voltou para casa pegar uma mochila e um chinelo. Entre a passagem deles – mãe e padrasto – pela rua e a chegada do Samu deve ter passado uns 30 minutos”, relata.

Outro morador da vizinhança ficou surpreso ao ver as notícias do caso e saber que a família morava nas proximidades. 

“Fiquei surpreso. Nem imaginava que eles dormiam ali naquela casa. Vi a foto do rapaz e não é uma pessoa conhecida aqui na região. Não tenho recordação dessa família”, disse.

Avó desabafa

Abalada e revoltada, Maria Aparecida, a avó materna do menino, conversou com a reportagem sobre a prisão da filha e do companheiro dela.

“Não esperava uma filha minha fazer isso com meu próprio sangue”, disse. Ela ainda contou que a filha estava morando com ela até pouco antes do de 2023, quando saiu de casa para morar com o atual companheiro. 

“Espero justiça para os dois, para ela e para ele. Tem que pagar, que eu não me conformo. Ela não é mãe, mas eu sou mãe, e mãe de 6 filhos. Eu não me conformo”. Ainda segundo Maria Aparecida, ela já havia pedido à filha para que os netos morassem com ela, mas a jovem dizia que “não daria os filhos para ninguém”.

Protocolo de morte encefálica

A criança continua internada na Santa Casa de Campo Grande em coma e respirando com ajuda de aparelhos.

O hospital informou que o protocolo de morte encefálica aberto foi interrompido porque a criança apresentou atividades cerebrais durante o eletroencefalograma.

A avó, por sua vez, diz que os afirmam que a criança está desenganada e que “só estão esperando o coração parar de bater”.

Ela conta, ainda, que enterrou o brinquedo preferido do neto, um martelo, para não ter que olhar para o objeto e relembrar da dor de ver o neto nessa situação.

Padrasto e mãe tentaram despistar as investigações

Segundo a delegada responsável pelas investigações, Nelly Gomes dos Santos Macedo, da DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), o casal apresentou diferentes versões sobre o caso para tentar despistar as investigações.

A primeira versão, apresentada quando a mãe pediu socorro ao Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), foi de que o menino havia caído em via pública. Já no hospital, a mulher disse que o filho caiu enquanto brincava em casa com a irmã mais velha, de 4 anos.

“Nossa maior dificuldade foi em estabelecer a dinâmica do que aconteceu com a criança, porque havia muitas inconsistências nas narrativas. Começamos a suspeitar dessas dinâmicas narradas e quando nos chegaram as informações dos graus das lesões que a criança sofreu eram lesões graves em órgãos vitais e nos fez suspeitar que não se tratava de um acidente, mas sim de algum ato violento contra essa criança”, explicou.

A delegada afirma que, em todas as versões, a mãe tentou inocentar o padrasto. “Ela tentou defender ele apresentando versões que o tiraram das cenas”, relata.

Mesmo com o depoimento da mãe, que dizia que o companheiro não estava presente no momento da suposta queda, as investigações revelaram que o suspeito estava na casa onde ocorreram os fatos. Testemunhas também confirmaram terem visto o homem no local.

A polícia também ressalta que o casal tentou se esquivar da responsabilidade dos fatos. “Eles fugiram para tentar se esquivar da responsabilidade e só apareceram porque as imagens foram divulgadas”, assegurou.

Foto de capa: Alicce Rodrigues, Jornal Midiamax.

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