O que era para ser uma partida acirrada de futebol entre CREC (Costa Rica Esporte Clube) e o Operário Futebol Clube terminou com um caso de racismo. O episódio foi registrado durante a nona rodada do Campeonato Sul-Mato-Grossense, no último dia 3 de março. O quarto árbitro do jogo, Rosalino Francisco Sanca, foi a vítima do crime cometido por um suposto responsável pelo Estádio Laertão e um médico do Costa Rica Esporte Clube.

Conforme informações do boletim de ocorrência, o homem que se apresentou como responsável pelo Laertão adentrou na área próxima ao vestiário da arbitragem que é restrita ao público. A vítima tentou tirá-lo de lá e foi então que o autor passou a ofender o árbitro com termos racistas. Depois, o médico também desferiu os xingamentos, dizendo, inclusive, que “esse neguinho gosta de confusão”.

O crime foi filmado por alguns jornalistas do local. À Polícia Civil, o árbitro explicou que tomou conhecimento do episódio posteriormente por causa dos vídeos. O advogado da vítima, Leandro Soares, informou que aguarda a apuração policial. 

A vítima recebe apoio e acolhimento do Sindárbitro-MS (Sindicato dos Árbitros de Futebol), que repudiou qualquer tipo de discriminação racial, religiosa e de gênero. “Esperamos que a polícia civil de Mato Grosso do Sul faça um trabalho eficaz de investigação, e que as medidas necessárias sejam tomadas para que os culpados possam ser punidos com o rigor da lei”, afirmou o presidente Ernani Tomaz da Silva.

O racismo é crime no Brasil desde 1989, conforme previsto na Lei nº 7.716. A legislação explica que serão punidos “os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. A pena para quem praticar esse crime pode chegar a prisão de dois a cinco anos e até multa.

Uma lei mais recente, sancionada em 2023, equipara o crime de injúria racial ao de racismo. Com isso, os episódios de racismo contra um grupo de pessoas e contra uma só pessoa devem ser punidos da mesma maneira. 

O Jornal Midiamax entrou em contato com a Fundesporte (Fundação do Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul) para saber sobre providências adotadas do caso ocorrido na partida de futebol, mas até a publicação da matéria não obtivemos respostas. O espaço segue aberto para manifestações futuras.

Segundo episódio

Esse é o segundo caso de racismo em partidas de futebol ocorrido em menos de uma semana no Estado. O primeiro foi registrado em 29 de fevereiro, durante partida entre Náutico e Portuguesa, no Estádio Jacques da Luz, em Campo Grande. Na ocasião, o jogador da Lusa, Vinícius Machado, foi ofendido por um PM (Policial Militar).

Conforme divulgado anteriormente pelo Jornal Midiamax, os jogadores se exaltaram após uma decisão da arbitragem em relação à falta sofrida pelo jogador David, no primeiro tempo. A PM precisou entrar em campo para conter a briga. 

No momento da discussão, o PM puxa o jogador pelo braço para retirá-lo do campo e foi questionado sobre o atleta. Depois, relatou o ocorrido ao delegado da partida. Ao voltar para o campo, o policial começou a ameaçá-lo: “Eu acho você onde você estiver aqui, vou lá no vestiário e pego você”. O jogador questionou por que estava sendo ameaçado e o PM respondeu, sacando as algemas: “Eu te dou voz de prisão. Você está me desacatando. Eu te prendo nego”.