O pai de Messias Cordeiro, acusado pela morte da ex-namorada, Karolina Silva Pereira, e do colega de trabalho dela, Luan Roberto de Oliveira, disse ao Plenário do Tribunal do Júri que o filho tratava a namorada “bem até demais” durante o relacionamento. Elio Rocha Dias da Silva, o genitor do réu, já foi preso por homicídio de uma mulher e possui passagens por violência doméstica.

Segundo Elio, o filho e Karolina frequentavam algumas vezes a residência dele. Durante as visitas, o casal era ‘normal’. “Não havia briga, era de boa. Para mim ele tratava até bem demais, para falar a verdade. Ele era, como eu vou dizer, ‘aquela coisinha’, né?” Os advogados de defesa questionaram se ‘aquela coisinha’ se referia a carinhoso e o pai confirmou.

O genitor de Messias foi preso no ano passado, durante as buscas pelo filho, com armas de fogo escondidas na residência dele, no bairro Chácara das Mansões. O homem disse que estava com a arma utilizada pelo filho para matar Luan e Karol e também com uma espingarda de pressão.

Pai de Messias encara filho durante julgamento – (Foto: Nathalia Alcântara)

No dia do crime, a mãe de Messias ligou para o ex-companheiro e relatou que o filho havia acabado de assassinar duas pessoas. Ele, então, foi até o encontro do filho, que estava em um anel viário às margens da rodovia, na região do Jardim Itamaracá, para buscá-lo. “Ele estava meio desorientado. Disse que ia se matar também, mas o ‘trem’ ‘picou’ as balas, mas que ia se matar também”.

A versão de um suposto suicídio após os assassinatos foi afirmada por Messias à polícia e em juízo. O acusado disse durante as investigações que não pretendia matar Luan Roberto, e apenas atirou nele porque a vítima reagiu. Depois de desferir os três tiros em Luan e Karol, tentou disparar mais duas vezes, dessa vez, contra ele mesmo, mas disse que as balas falharam.

Feminicídio e homicídio

O crime aconteceu em abril do ano passado, no Jardim Monumento, em Campo Grande. Messias foi indiciado por feminicídio e homicídio doloso que dificultou a defesa da vítima e porte ilegal de arma de fogo.

Na época do crime, as investigações que apontaram Messias como autor dos disparos confirmaram premeditação do feminicídio. Ele teria planejado o crime quatro dias antes, após ver a ex-namorada trocando beijos com Luan.

A versão de que Luan e Karolina mantinham um relacionamento é desmentida por amigos e familiares das vítimas. Juliana Ferreira Rocha, colega de trabalho das vítimas, disse que Luan levava Karol de volta para casa “por solidariedade”, já que a jovem vivia com medo de Messias.