Lideranças religiosas irão denunciar o furto dos corpos de uma bebê e uma adolescente, de 12 anos, ocorrido em um cemitério de Ponta Porã, à PF (Polícia Federal) de Dourados, a 225 quilômetros de Campo Grande. O furto aconteceu no último sábado (18) e no domingo (19) a Perícia Técnica encontrou a cabeça da adolescente.

O delegado de Polícia Civil, Maurício Moura Vargas, que atendeu à ocorrência, confirmou ao Jornal Midiamax que a cabeça da adolescente, de 12 anos, foi encontrada no último domingo (19) dentro do cemitério pelos peritos que investigam o caso.

Nesta terça-feira (21), informações repassadas ao Jornal Midiamax são de que um grupo de lideranças religiosas vai denunciar comentários feitos nas redes sociais, pois, alguns usuários acusam que os religiosos teriam furtado os corpos. 

“Devem ser os macumbeiros para fazer algum trabalho de destruição”, disse um dos usuários das redes. “(…) sim e ainda come carne humana”, comenta outra conta assinada por uma empresa e que logo em seguida foi apagado.

Diante disso, o grupo irá denunciar os comentários e protocolar uma notícia crime na PF de Dourados. O promotor de Justiça, João Linhares, conversou com a reportagem do Jornal Midiamax na segunda-feira (20) e o mesmo disse que já fez uma denúncia formal enquanto cidadão para que a polícia investigue uma possível intolerância religiosa. 

“A internet virou infelizmente uma terra arrasada em que quase todas as matérias que nós vemos há comentários absolutamente impertinentes e desairosos. Já repassei a situação para o delegado regional de Polícia Civil com base no artigo 20 da Lei número 7.716/1989”, explicou Linhares.

O promotor também sugeriu que os órgãos midiáticos façam um trabalho de filtro e também de prevenção para evitar esse tipo de prática entre os leitores mal-intencionados que utilizam as redes sociais para propagar discursos de ódio.

‘Nunca tinha trabalhado num caso como esse’, relata delegado

A investigação sobre o furto de corpos de um bebê e de uma adolescente, de 12 anos, é um caso ‘novo’ para o delegado de Polícia Civil, Maurício Moura Vargas, que atua em Ponta Porã e Aral Moreira, cidades distantes a mais de 300 quilômetros de Campo Grande.

Indagado pela reportagem se já aconteceu um furto de corpos anteriormente na cidade fronteiriça, o delegado afirma que enquanto está à frente do plantão da 1ª Delegacia de Ponta Porã, nada semelhante ocorreu, mas não é um caso que gerou choque, já que a fronteira com Pedro Juan Caballero é conhecida por crimes violentos.

“Nunca havia acontecido aqui não, quem trabalha na fronteira não se choca com nada. Mas nunca tinha trabalhado num caso como essa situação”, conta o delegado Maurício, lotado em Aral Moreira semanalmente e nos plantões aos finais de semana em Ponta Porã.

Ainda conforme ele, a localização dos suspeitos pelo crime é um desafio para a polícia, uma vez que se trata de um crime pouco comum. Equipes do SIG (Setor de Investigações Gerais) também atuam na investigação.

Vigia de cemitério exonerado

Após o furto, a Prefeitura Municipal exonerou um vigia do município. A exoneração consta no Diário Oficial desta segunda-feira (20). Conforme a publicação, a portaria entra em vigor a partir de 14 de maio.

Ao Jornal Midiamax, o secretário de Segurança municipal, Candinho Gabínio, disse que a exoneração “não é referente ao fato”. Além disso, informou que a administração pública segue com apuração interna.

“Esta manhã o Secretário Adjunto de Administração esteve no local recolhendo informações acerca do ocorrido e que será instaurado um PAD (processo administrativo disciplinar) para averiguar eventuais omissões ou falhas”, afirmou ao Midiamax.

Furto de corpos

Os corpos de um bebê e de uma adolescente de 12 anos foram furtados do cemitério de Ponta Porã, no sábado (18). Três túmulos foram danificados.

A adolescente foi sepultada há 15 dias. Além deste túmulo, outros dois foram violados, estes eram de bebês. Conforme informado, o vigia do cemitério encontrou as covas abertas por volta das 6h do domingo (19).

Dessa forma, a PM (Polícia Militar) e a Guarda Municipal foram acionadas, assim como a Polícia Civil, que investiga o caso. A situação foi registrada na Delegacia de Ponta Porã como destruição, subtração ou ocultação de cadáver.