O escritório de advocacia do ex-deputado federal, Fabio Trad, e do irmão Marcos Marcello Trad, ex- de , assumiu a defesa do delegado Márcio Shiro Obara, investigado na Operação Omertà – deflagrada para apurar crimes de organização criminosa e formação de milícia, extorsão, posse e porte ilegal de armas, jogos de azar e outros conexos a essas atividades ilícitas -.

Na última quinta-feira (11), os advogados pediram ao (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) que fosse adiada a sessão para julgar o recurso do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) contra a decisão de 1º grau absolvendo o delegado da acusação do crime de obstrução de justiça e lavagem de capitais. 

Pelo fato do julgamento estar marcado para esta terça-feira (16), os advogados – que assumiram na última quinta a defesa de Obara -, pediram mais tempo para estudar o caso. 

Entretanto, o relator do processo Desembargador, Luiz Gonzaga Mendes Marques, negou o pedido. Ele ressaltou que o delegado teve tempo hábil para examinar o processo com o que o defendia. 

“Indefiro pedido de fl. 8.415, visto que o réu teve tempo hábil para examinar o processo com o advogado que o defendia, bem como para eventual substituição, visto que o processo está pautado desde o dia 19/03/2024. Mantenho o julgamento para a data designada”, consta o despacho do desembargador. 

Prisão de Obara

O delegado foi preso no dia 18 de junho de 2020. Durante as buscas feitas na casa dele foram encontrados pelos policiais, munições de diversos calibres de fuzis e um fuzil .556, que o policial escondia em sua casa e em uma sala privativa usada por ele, em um anexo na delegacia.

O armamento – de origem estrangeira e apreendido durante a deflagração da terceira fase da Omertà -, foi encontrado no apartamento de Obara, na Avenida do Poeta. Lá, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) acabou encontrando um fuzil .556 e diversas munições de fuzis de origem estrangeira e sem documentação.

O delegado era investigado desde a deflagração da primeira fase da Omertà, em setembro de 2019, por suspeita de receber propina de R$ 100 mil para não investigar a execução de do policial da reserva e chefe da segurança da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, Ilson Figueiredo, em junho de 2018. Figueiredo teria sido executado em Campo Grande em vingança pela morte de Daniel Alvarez Georges, 43 anos, filho de Fahd Jamil.

Absolvição

6 réus da Omertà foram absolvidos de acusações de integrarem organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro no dia 15 de fevereiro do ano passado.

Foram absolvidos o delegado Márcio Shiro Obara, bem como Fahd Jamil e o filho Flávio Correia Jamil Georges, também Jamil Name Filho, Marcelo Rios e Célio Rodrigues Monteiro. Na decisão, entre outros pontos, o magistrado conclui que não foram produzidos elementos que comprovassem ilícito penal cometido por Obara.

Investigação

Nas alegações finais, a acusação reforçou as provas de que o delegado Obara, então titular da DEH (Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes de Homicídios), teria recebido propina.

Esse pagamento seria no valor de R$ 100 mil, para trancar as investigações de execuções em Mato Grosso do Sul. Assim, não se chegaria até os mentores dos crimes.

As mortes em questão são a do então chefe de segurança da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, Ilson Martins Figueiredo, bem como de Alberto Aparecido Roberto Nogueira, o Betão, e o policial civil Anderson Celin Gonçalves da Silva. Os dois últimos encontrados carbonizados na carroceria de uma camionete na fronteira.

Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) chega a lembrar que Obara relatou os investigados na Omertà como integrantes das “duas organizações criminosas mais poderosas do Estado e que se comunicavam entre si”, sendo essas supostamente comandadas por Jamil Name, em Campo Grande, e Fahd Jamil, em Ponta Porã.

“Uma dessas vantagens indevidas, consistente no pagamento de R$ 100.000,00 (cem mil reais), deu-se por intermédio de Marcelo Rios e foi recebida pelo Delegado de Polícia Civil Márcio Shiro Obara”, consta na peça.

Pagamento de propina em espécie para delegado

Conforme a alegação formulada pelo Gaeco, em meados de 2018 os réus Fahd Jamil, seu filho Flávio Correia Jamil Georges, Jamil Name – falecido em 2021 – e Jamil Name Filho teriam oferecido e pago o valor ao delegado, por meio do então guarda municipal Marcelo Rios.

Tal pagamento foi feito “a fim de determiná-lo a praticar, retardar e omitir atos de ofício”. Testemunha ouvida pelo Gaeco teria contado que, após a morte Ilson Martins Figueiredo, Marcelo Rios teria entregado, em mãos, os R$ 100 mil em espécie ao delegado. O valor estava em uma sacola de presente.

“Ao assim agir, o réu Márcio Shiro Obara, Delegado de Polícia Civil, também frustrou a principal linha de investigação da Polícia Civil, já que apagou os vestígios de que o homicídio tinha relação com a morte do filho do réu Fahd Jamil”, se referindo ao desaparecimento e possível assassinato de Danielito.