Em audiência realizada na tarde desta segunda-feira (19), familiares de Bruna Moraes Aquino, assassinada aos 22 anos em Campo Grande, detalharam à Justiça como era a rotina da jovem e do relacionamento com o então namorado e acusado do homicídio, um frentista de 35 anos. Essa foi a primeira audiência do caso, conduzido pela 1ª Vara do Tribunal do da Capital. 

Segundo uma das irmãs de Bruna, hoje prestaram depoimento uma tia, outra irmã e uma prima de Bruna. Outras audiências acontecerão em breve para que outras testemunhas deponham sobre o caso.

O caso – Bruna foi assassinada a tiros, no dia 1º de setembro de 2021, quando estava com o namorado no carro dele. O casal estava próximo ao rodoviário, no Itamaracá, em uma rua de chão. Bruna foi atingida no pescoço, o namorado dela, apontado como suspeito, apresentava um ferimento provocado por um tiro de raspão no braço.

Na ocasião, o frentista contou à polícia que ele e a vítima estavam no carro quando foram surpreendidos por um desconhecido que chegou a pé, com um capacete nas mãos e armado.

Conforme os relatos do namorado de Bruna, o homem realizou vários disparos contra o veículo, acertando ele de raspão no braço, mas atingindo a vítima por duas vezes no pescoço.

Em seguida, quando viu que a namorada sangrava demais, correu para tentar socorrê-la, levando-a para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Universitário. No local, os médicos tentaram a reanimação, mas Bruna já estava morta. O namorado também apresentava ferimentos de de fogo no braço e ficou internado por oito dias.

Investigações

À equipe de reportagem do Jornal Midiamax, o delegado Christian Duarte Mollinedo, da 4ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, explicou que durante as investigações, o namorado de Bruna mudou de endereço e trocou o número de telefone. Além disso, segundo o delegado, nunca foi comprovada a tese de que eles foram surpreendidos por uma terceira pessoa, como alegou em depoimento sobre o caso.

“Ela foi morta em um local ermo, sem câmeras de segurança, sem testemunhas. Ele diz que uma pessoa tentou matá-los, mas ele ficou livre esse tempo todo e ninguém nunca atentou contra a vida dele. Além de que, temos vídeos de testemunhas que foram ameaçadas por ele, que chegou a mandar foto dele armado para algumas delas. Muitos dos que foram ouvidos disseram que o namoro era bastante conturbado. Acreditamos que foi uma situação de crime passional”, afirma.

Defesa

Conforme consta nos autos do processo, o suspeito foi preso no último dia 27. Na segunda-feira (6), a defesa, que alega dele, pediu a revogação da prisão preventiva por feminicídio. Nos autos, os advogados defendem que o frentista também foi vítima do mesmo crime e que não poderia ser apontado como autor.