O advogado de defesa da mulher suspeita de matar o adolescente, de 17 anos, Wandré de Castro Ferreira, com um tiro no olho em um residencial no Jardim Canguru, em Campo Grande, alegou à reportagem do Jornal Midiamax que ela teria sido imprudente ao usar a no dia do crime. A mulher, de 44 anos, era vizinha da família. 

O crime aconteceu em setembro de 2023. Nesta sexta-feira (23), a polícia realiza a reconstituição do assassinato, com equipes da DEPCA (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente), perícia e apoio do Garras.

O advogado da suspeita, Cairo Frazão, que atua com a advogada Jaqueline Bebet no caso, disse que se trata de homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Ele também afirmou que a suspeita e a vítima tinham uma boa convivência.

“Para demonstrar que nada passou, de que infelizmente ela foi imprudente na situação de manuseio dessa arma, que não deveria ter, porém, dentro de sua condição, será demonstrada qual é a sua responsabilidade. Estamos aqui, precisando que todos entendam que a situação é triste para todos os familiares, porém dentro do possível, será a penalização dela dentro do que ela realmente realizou”, explica o advogado.

Reconstituição do caso Wandré acontece desde a manhã desta sexta-feira no Canguru. (Foto: Alicce Rodrigues, Midiamax)

Questionado sobre o disparo ter ocorrido por volta de meia-noite e o socorro sido chamado somente quase 2 horas depois, registrado por câmeras de segurança, Cairo alegou que não há uma dinâmica concreta para afirmar se houve o disparo ou não. 

Contudo, questões, como horários, gravações e disparos, já foram colocados dentro do processo e serão analisadas pelo magistrado.

A esperança da mãe do adolescente, Sirlene de Castro, é que a verdade sobre a autoria do crime seja revelada com essa reconstituição. “Que a verdade apareça, só isso… meu filho nunca desrespeitou ninguém, eu sou mãe, eu sei o que criei. A única coisa que eu quero é que ela tenha decência de falar a verdade. Por mais dolorido que seja, fala a verdade, é tão simples…”, pede.

Assassinato

O crime aconteceu na madrugada de sábado, dia 2 de setembro do ano passado. A suspeita alega que o disparo foi acidental. A mãe do adolescente disse que já estava deitada quando uma das filhas da suspeita bateu na porta.

“Ela disse para eu não ficar brava e que a mãe dela tinha dado um tiro sem querer no meu filho. Eu desci correndo até o apartamento dela e quando entrei no quarto meu filho estava caído no pé da cama com um tiro no olho”, detalhou.

Segundo ela, a suspeita estava embriagada e teria consumido bebida alcoólica durante todo o dia. “Ela nem chamou a polícia ou o socorro, eu que tive de ligar para o Samu”, contou. 

Para a família e para a polícia, a mulher sustentou a tese de que não sabia que a arma estava carregada. No apartamento, foi apreendido um revólver calibre 38 e quatro munições intactas.