Um homem foi morto durante confronto com policiais militares do Choque no bairro Jardim Noroeste, em Campo Grande, na madrugada deste domingo (19), após uma tentativa de arremesso de celulares no Presídio de Segurança Máxima. O autor ainda teria atirado contra os policias penais, que estavam nas torres da penitenciária.

Os policiais foram chamados para atender a ocorrência contra agentes policiais penais. No local, foram informados que alguns indivíduos efetuaram cerca de 10 disparos contra os agentes. Quando indagados sobre as características dos criminosos, relataram que um deles usava uma camiseta, de cor vermelha. 

Durante as buscas pelos autores, os policiais encontraram uma pessoa transitando a pé na Rua Adventor Divino De Almeida. Eles se aproximaram para realizar uma abordagem. Após alguns metros, os policiais foram surpreendidos por dois tiros e revidaram. 

Foi solicitado apoio da Rotac (Rondas Ostensivas Táticas e Ações de Choque), que encaminhou o ferido para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Nova Bahia, onde foi constatado o óbito. 

A perícia recolheu do local dois celulares envoltos em espuma e fita adesiva de cor verde, “característico aos lançados para o interior do presídio”. Também foi recolhida uma uma arma, tipo revólver, de cor clara calibre 38 contendo 4 munições intactas e 2 deflagradas.

Ela também recolheu da equipe policial uma carabina T4 marca Taurus, um carregador tipo cofre e 10 munições. 

Foi liberado pela perita para providências: embalagens utilizadas para envolver os objetos, uma garrafa de 500ml contendo bebida alcoólica, uma camiseta de cor vermelha (cor da veste do atirador ao presídio), uma mochila de cor marrom, dois pedaços de papel contendo dados bancários, um da Caixa Econômica Federal e outro do Banco do Brasil. 

No ato do socorro, também foi encontrado um aparelho celular marca Xiaomi de cor azul. O caso foi registrado como disparo de arma de fogo e homicídio decorrente de oposição à intervenção policial na Depac-Cepol (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário – Centro Especializado de Polícia Integrada).

Celulares nos presídios

Sem bloqueadores de sinal e sem combate efetivo da corrupção entre servidores, as cadeias de Mato Grosso do Sul se tornaram verdadeiros escritórios conectados com o mundo para detentos que comandam organizações criminosas a partir das celas da Agepen (Agência Estadual de Administração Penitenciária).

Assim, esquema supostamente organizado em parceria entre presos faccionados e servidores da administração penitenciária corrompidos teriam transformado as ‘telecomunicações ilegais’ um negócio milionário nas cadeias da Agepen.

Para funcionar, o esquema aproveitaria brechas intencionalmente mantidas. Dessa forma, o acesso de empresas terceirizadas, a ‘vista grossa’ para o arremesso de pacotes para dentro dos presídios, a entrada de visitas e até mesmo de servidores que burlam revistas seriam os meios de colocar aparelhos celulares nas penitenciárias de Mato Grosso do Sul.

Não importa o tamanho da prisão, todas estariam comprometidas, mostram inúmeras ocorrências policiais que apontam como mentores intelectuais detentos sob responsabilidade da Agepen. Isso sem falar dos constantes flagrantes de celulares e até explosivos ‘guardados’ pelos bandidos na segurança das cadeias.

Mina de ouro nas cadeias da Agepen

Segundo servidores da Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública), na cúpula da Agepen muitos embalam o discurso de que ‘se cortar celular, as facções acabam com as cadeias’.

Seria uma forma de manter o Estado refém dos detentos que se tornariam verdadeiros ‘sócios’ do sistema altamente corrompido.

“Se quem tem que investigar quiser ir a fundo, vai achar muitos servidores com patrimônios incompatíveis com os salários oficiais. O negócio está descarado. Como o sistema prisional de MS sustenta presos de todo o Brasil que caem aqui por tráfico de drogas, essas cadeias da Agepen viraram uma mina de ouro”, denuncia.

Aproximadamente 6 mil detentos têm acesso ao serviço garantido dos ‘voz‘, como são chamados os presos que mantêm e agenciam celulares. No complexo penitenciário da Máxima, em Campo Grande, por exemplo, basta ter dinheiro para pagar.

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