Familiares de Cristiane Eufrásio Millan, de 42 anos, assassinada com mais de 30 facadas e encontrada três dias após a morte em uma casa na Avenida Presidente Vargas, em Campo Grande, acreditam que o crime foi premeditado. A irmã da vítima, em conversa com o Jornal Midiamax, ressaltou o quanto Cristiane era trabalhadora.

Cristiane foi morta porque era prostituta, segundo depoimento do autor do crime. O caso segue em investigação na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher).

Bastante abalada, tentando raciocinar a crueldade que aconteceu com Cristiane, a irmã, que preferiu não se identificar, contou que conversou e alertou a vítima para não sair de casa naquele dia. 

Cris trabalhava, ao contrário do que o autor contou, com depilação feminina e masculina, massagens, fazia fretes e ainda vendia enxoval, produtos de cama, mesa e banho, tudo para ajudar no sustento dos quatro filhos e do resto da família. 

A irmã conta que Cris viu oportunidade na depilação masculina que era difícil de encontrar e decidiu seguir também esse caminho, com isso ela passou a ter vários clientes, um deles era o seu assassino. Porém, a família nega ter conhecimento de que Cristiane faria programas sexuais.

Vítima já havia reclamado do assassino

A irmã lembra que, certa vez, Cris, que atendia em casa e também a domicílio, reclamou, afirmando que o suspeito às vezes chegava alterado para a sessão, aparentando estar sob efeito de drogas.

“Ela me disse que não gostava de atender ele, por isso, porque ele vinha alterado, agressivo. Até que um dia eu botei ele correr de lá. Não sei se foi por isso, ele ficou muito bravo”, lembrou.

No dia do crime, a irmã contou que mesmo pedindo que não fosse, Cris disse que iria na casa do autor para atendê-lo. “Minha irmã jamais falaria aquilo para ele. ‘Ah, não vou te atender porque você é feio'. Ele queria matar ela mesmo, por isso ele chamou para ela fazer o atendimento lá”, explica, afirmando que além de atraí-la, o homem premeditou todo o assassinato.

A família teve acesso a câmeras de segurança, e ao celular da vítima. Segundo a irmã, Cris saiu de casa às 8h e às 8h45 o celular dela foi desligado. “Ela chegou e ele já matou ela. Foi tudo premeditado. Ele deixou uma na cozinha, uma no quarto e outra na varanda, além do canivete na cintura”, disse a irmã.

Com o , a família ficou desesperada e entrou em pânico, já que a vítima nunca sumiu sem avisar. “Pelas mensagens, ela tentou pedir ajuda, mas não deu tempo. Ela era muito carinhosa, trabalhava igual um camelo pela família e agora está aqui todo mundo destruído e ele contando as mentiras dele”, lamentou a irmã.

Feminicídio

Após o crime, o autor foi até o Caps (Centro de Atenção Psicossocial) e, de lá, ligou para a irmã e confessou o crime. Ele acabou preso pelos policiais militares no próprio . Na delegacia, o homem manteve a afirmação de ter assassinado a mulher por sua profissão. Cristiane foi morta com mais de 30 facadas e encontrada seminua em um dos quartos da casa.

Os policiais apreenderam uma faca no quarto do autor, um canivete em outro quarto e uma faca de serra na varanda da casa. Ele foi preso em flagrante e encaminhado para a delegacia depois de passar três dias com o corpo de Cristiane em casa.

Cristiane chegou à residência ainda no sábado (20) pela manhã, deixando seu carro Montana estacionado do outro lado da rua e não foi mais vista.

Depois que o autor ligou para a irmã contando sobre o assassinato, a mulher foi até a residência e encontrou a vítima.

Ela ligou para a polícia, que prendeu o autor no Caps. Segundo a irmã do homem, ele é esquizofrênico, e moradores disseram que ele era uma pessoa tranquila.