O padrasto de Sophia Jesus Ocampos, que morreu aos 2 anos, cedeu à Justiça a senha do celular para que equipe especializada do (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) possa desbloquear o aparelho e recuperar as mensagens enviadas por ele, que é apontado como um dos responsáveis pela morte da criança.

O juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri, Aluízio Pereira dos Santos, havia determinado, na semana passada, que o Gaeco ficasse responsável por periciar o aparelho. No início das investigações, o réu havia negado a senha de acesso ao celular. A Polícia Civil de e do também tentaram periciar o aparelho, no entanto, não conseguiram.

Embora a senha tenha sido cedida, os advogados solicitaram que os dados extraídos do celular não sejam utilizados caso não sejam juntados ao processo em tempo razoável antes da data da audiência, que está marcada para o dia 28 deste mês.

Ainda sobre a data da audiência, a defesa da mãe da menininha solicitou a redesignação sob alegação de outra agenda na mesma data e hora. O pedido foi deferido pelo magistrado, que remarcou apenas o horário para às 16 horas, para que a defesa tenha tempo de atender ao compromisso anterior.

Nos autos, os advogados do padrasto da vítima também disseram que discordam da decisão do juiz de retirar o segredo de justiça do processo e pontuaram que o caso deveria ser mantido em sigilo.

A defesa também solicitou a devolução das chaves do imóvel onde a família morava de aluguel. “Em relação ao imóvel, não mais interessa ao processo, eis que já foram realizadas duas perícias, sendo
totalmente descartado a existência de qualquer material que pudesse influenciar nos autos”, alega.

Conforme consta nos autos, o pedido de devolução das chaves foi feito para que o proprietário do imóvel possa alugá-lo novamente.

O caso

A menina, que já havia passado por diversas internações, morreu em janeiro deste ano. As investigações mostraram que Sophia foi levada pela mãe a uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), já sem vida. A mulher chegou ao local sozinha e informou o marido sobre o óbito.

Uma testemunha afirma que depois de receber a informação sobre a morte de Sophia, o padrasto teria dito a frase: “minha culpa”.

Uma das contradições apontadas na investigação é o fato da mãe ter afirmado que antes de levar a filha para atendimento médico, a menininha teria tomado iogurte e ido ao banheiro.

A versão é contestada pelo médico legista que garantiu que com o trauma apresentado nos exames, a criança não teria condições de ir ao banheiro ou se alimentar sozinha. A autópsia também apontou que Sophia pode ter agonizado por até seis horas antes de morrer. O padrasto e a mãe da menina são acusados do crime e estão presos.

Abusos

A perita Rosângela Monteiro, que atuou no caso Nardoni em 2008, analisou material enviado pela advogada do pai de Sophia, Janice Andrade. Em seu parecer, Rosângela afirma que a menina foi abusada inúmeras vezes.

“A violência sexual foi claramente identificada pelo rompimento de hímen, a heperemia em partes da vagina e esquimoses na face interna das coxas, e o rompimento do hímen já estava cicatrizado, portanto fora realizado em data anterior da morte da vítima”, diz parte da análise feita.