A mulher, de 37 anos, que registrou um boletim de ocorrência com a informação falsa de que foi sequestrada a mando do ex-marido, confessou à polícia que mentiu na ‘tentativa de impedir que o homem conseguisse a guarda dos filhos. O ex-casal tem quatro filhos que estão em um abrigo em Nova Alvorada do Sul, cidade a 120 quilômetros de Campo Grande.

De acordo com a delegada Analu Lacerda, da DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), o ex-casal está separado há três anos e disputam na justiça a guarda dos filhos.

“Ela fez tudo isso para tentar impossibilitar o ex-companheiro de ficar com a guarda das que estão abrigadas”, explica. A delegada não informou o motivo pelo qual os pais perderam a guarda dos filhos.

A equipe de reportagem do Jornal Midiamax entrou em contato com o Conselho Tutelar de Nova Alvorada do Sul, que confirmou que as quatro crianças estão abrigadas há alguns meses, no entanto, não informaram mais detalhes sobre o caso.

Um inquérito foi instaurado e a mulher deve responder pelo crime de denunciação caluniosa. A pena, segundo a titular da DEAM, delegada Elaine Benicasa, é de até 8 anos de reclusão.

A delegada também afirma que apenas neste ano foram registradas 10 boletins de ocorrência de denunciação caluniosa. O número é o dobro dos crimes desta natureza registrados em 2022, quando foram constatados 5 casos.

“É importante dizer nosso compromiosso porque sei que as pessaso acabam criticando a lei, que os homens não possuem local de denúnica e que as mulheres mentem, mas sabemos que é uma minoria que faz isso, porém, essas mulheres são investigadas, assim como estamos fazendo neste caso, e respondem por isso”, ressalta.

Para checar as versões apresentadas pela mulher no caso do sequestro, foram necessárias seis oitivas. Equipes da Polícia Civil de Campo Grande foram à Nova Adradina para ouvir testemunahs e investigar o caso.

Falso sequestro

No último domingo (26), a mulher registrou um boletim de ocorrência no qual disse que foi sequestrada por três homens encapuzados a mando do ex-marido na saída da rodoviária em Campo Grande.

Ela ainda contou que foi levada para o Jardim Noroeste, onde estavam outros dois homens que a deixaram quatro dias sem água e comida a mando do . No domingo (26), ela teria aproveitado que eles se distraíram e conseguido fugir.

A história foi desmentida durante as investigações. “Ficou comprovado por meio de imagens do local dos fatos que o crime não ocorreu como narrado no histórico da ocorrência e com o relatório de investigação foi possível entender que ela procurou a polícia e narrou o crime com o único escopo de imputar ao ex-marido crime que não cometeu e que sequer existiu, provocando a instauração de procedimento investigativo por não aceitar o fim do relacionamento”, afirmou a polícia.

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