O policial militar aposentado que se passava por policial civil no roubo de drogas de traficantes, era o ‘cabeça’ da quadrilha, segundo o delegado Francis Freire, da Derf (Delegacia Especializada de Roubo e Furtos), em Campo Grande. Foi deflagrada a Operação Impostores, na manhã desta segunda-feira (20).

De acordo com o delegado, a quadrilha agia há 2 anos e a polícia está atrás de outro membro da quadrilha que passaria as informações de onde as drogas – guarda-roupa – estariam para que o roubo fosse feito. Dois mandados de prisão foram cumpridos.

O técnico de agrimensura e o ex-policial excluído foram presos. Já o PM aposentado e o vigilante estão foragidos. Todos os mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Ainda de acordo com Francis, o crime é conhecido como ‘Cifra Negra’, já que o traficante não denuncia o roubo de suas cargas.

Mas, segundo o delegado, neste caso foi diferente, já que o homem estava sendo ameaçado pela facção após ele ter perdido a droga e foi atrás de tentar achar os autores, sendo que depois de um tempo resolveu registrar o boletim de ocorrência. Ele disse na delegacia que desconfiou que os autores não seriam policiais quando foi solto em um bairro da cidade em vez de ser levado para a delegacia. 

Ainda de acordo com a polícia, todos os quatro envolvidos possuem passagens e os dois policiais tem duas condenações por tráfico de drogas, cada um. A polícia ainda tenta identificar mais uma pessoa que seria responsável por indicar os locais onde há drogas.

As investigações

Durante a investigação, foram apreendidos em poder do grupo: um Gol, de cor vermelha; um Ônix, de cor prata; uma algema; 18 quilos de cocaína; e coletes policiais sem identificação. No dia 18 de outubro, um homem, morador do bairro Aguadinha, procurou a delegacia dizendo que havia sofrido um roubo em sua residência, os bandidos teriam levado joias, celulares e R$ 15 mil em dinheiro. 

Após ser confrontado com várias inconsistências, o homem revelou que, na verdade, atuava como “guarda-roupa” escondendo 65 quilos de cocaína. Ele teria sido abordado por indivíduos que se identificaram como policiais civis da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico). Os falsos policiais usavam roupas operacionais, portavam arma de fogo, algemas e se chamavam entre si de “stive”, bem como utilizavam os veículos Gol, de cor vermelha, e Ônix, de cor prata.

Os supostos policiais acabaram realizando revista na casa e apreenderam 65 quilos de cocaína e dois aparelhos celulares. Os autores efetuaram a “prisão” do homem, colocando-o no interior do Ônix, informando que o levariam à Denar. Mas, os policiais falsos liberaram o homem no bairro Cristo Redentor e seguiram para local desconhecido em poder da droga e celulares subtraídos.

O homem relatou que somente registrou o boletim de ocorrência, noticiando falsamente a subtração de dinheiro e joias porque estava desesperado em obter imagens de câmeras de segurança na vizinhança e, assim, prestar contas da perda da droga pertencente a uma facção criminosa, sob pena de ser morto.