Acontece na noite desta sexta-feira (23) uma simulação de ataque a banco, como parte de um treinamento realizado por militares do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) da Polícia Militar, no Bairro Jardim Paradiso, em Campo Grande. Essa modalidade de crime vem sendo praticada geralmente por grupos criminosos conhecidos como “novo cangaço”.

O Jornal Midiamax conversou com forças de segurança das polícias Civil e Militar para explicar como é caracterizado esse tipo de organização. Segundo o delegado Fábio Peró, do Garras (Delegacia de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros), o neologismo que dá nome aos grupos surgiu em meados dos anos 1990, em alusão a assaltos praticados em municípios do Nordeste brasileiro.

“É próprio de ações do tipo “novo cangaço” a utilização de grande estrutura material, como veículos blindados, caminhonetes e até carretas, bélica, como armas de fogo de grosso calibre e explosivos, e humana, com grande quantidade de criminosos”, explica o delegado.

Ainda conforme o delegado, grupos dessa natureza operam com planejamento das ações e divisão de tarefas entre os membros. “Eles atuam de modo orquestrado, buscando neutralizar a atuação de forças de segurança para impor terror e pânico, e atacar instituições financeiras ou empresas de custódia ou transporte de valores”, explica Peró.

Já o subcomandante do CPM (Comando de Policiamento Metropolitano) tenente-coronel Klimpel, responsável pela organização do treinamento de hoje, é comum os criminosos colocarem fogo nas entradas das cidades em que pretendem cometer os delitos. “É um crime praticado por criminosos em grande número, que tentam tomar as forças de segurança para realizarem crimes contra instituições financeiras, geralmente bancos”, explica.

Simulação

A ação, além de envolver vários policiais, terá ainda sons de tiros e bombas. Toda a ação faz parte do treinamento das forças de segurança e, segundo a PM, é em resposta aos crimes violentos contra o patrimônio público, conhecido como “Novo Cangaço” ou “Domínio de Cidades”.

A ação, que já ocorreu em outras cidades do interior, como Três Lagoas, Naviraí e Ponta Porãtambém já ocorreu em Campo Grande em 2021. Na época, a ação teve a participação de 1,2 mil militares e agentes especializados no Bairro Coronel Antonino.

Novo cangaço em MS

O cangaço noturno em Mato Grosso do Sul começou com o fracasso do novo cangaço em 2006 nas cidades de Costa Rica, Sonora

Em 2011, os criminosos optaram pelas explosões aos bancos durante a noite, escolhendo sempre cidades menores, mas com grande fluxo de dinheiro por causa de indústrias e lavouras. Antônio João em 2011, também em 2011, Sonora em 2016, Pedro Gomes também em 2016, Paraíso das Águas em 2017, Amambai e em 2019, foram cidades alvos destes criminosos, sendo que muitos acabaram presos e outros morreram em confrontos policiais.

Explosões 

Um dos casos que mais teve repercussão no Estado foi a explosão do Banco do Brasil, em Sonora, em 2016. Em 18 de abril de 2016, grupo fortemente armado explodiu a agência do Banco do Brasil. Além de explodir o banco, membros da quadrilha permaneceram na frente da delegacia da cidade, além do batalhão da Polícia Militar, atirando a todo momento para evitar que os agentes conseguissem sair. O banco foi totalmente destruído. Dois meses e meio depois, parte da quadrilha foi apresentada pelo Garras.

Já em Pedro Gomes, cidade a 296 quilômetros de Campo Grande, o crime aconteceu no dia 10 de novembro. O Corpo de Bombeiros teve que ser acionado para conter as chamas da agência bancária — que foi arrombada e explodida pela quadrilha. Os suspeitos teriam utilizado dois carros e armamento de grosso calibre. Na fuga, eles chegaram a espalhar ‘miguelitos’ — artefatos feitos com pregos — para dificultar a ação policial e evitar perseguição.

Em abril de 2019, uma quadrilha explodiu o cofre de uma agência bancária na cidade de Coronel Sapucaia, a 380 quilômetros de Campo Grande, e teria levado o valor de R$ 100 mil do banco. O tiroteio na cidade, que assustou os moradores, durou aproximadamente 1 hora. A quadrilha usou fuzis, um super lança-chamas e bombas para abrir o cofre do banco. 

Roubo a banco em MS

Em outubro de 2021, uma agência bancária em Aquidauana foi invadida por criminosos que arrombaram o cofre e levaram R$ 700 mil. Os bandidos entraram na agência no fim de semana sem levantar suspeitas, pelos fundos, já que não há câmeras de segurança no local. Eles estouraram uma janela de vidro temperado.

Após isso, os bandidos furaram a lateral do cofre e desligaram todo o sistema de alarme do banco, fugindo por um terreno baldio, que fica na lateral do prédio.

No mesmo mês, bandidos roubaram um dos caixas eletrônicos do Banco Bradesco, na cidade de Caracol, a 384 quilômetros da Capital. Pelo menos cinco pessoas participaram do roubo e levaram cerca de R$ 170 mil em espécie após invadir a agência bancária. Câmeras de segurança de comércios próximos flagraram o momento em que o grupo chega e quatro homens entram na agência, enquanto um aguarda do lado de fora. Eles permaneceram por mais de três horas no banco, e violaram o caixa eletrônico utilizando um maçarico.