A médica Anelise Amaral, dona da buldogue inglês Prada que morreu na tarde do último dia 8, após ficar em uma temperatura muito elevada dentro do veículo de pet shop, usou a tribuna da Câmara Municipal de Campo Grande na manhã desta terça-feira (28) para pedir melhorias nos carros que transportam animais.

Com apenas 3 anos e oito meses, a buldogue Prada morreu minutos após voltar de um banho. Depois de uma avaliação veterinária, a família descobriu que a cadela tinha líquido nos pulmões e apresentava caso de hipertermia e baixa saturação.

Muito emocionada, Anelise pediu mais compaixão aos pets, ressaltando que Campo Grande é uma cidade quente e que os animais sofrem com as altas temperaturas dos veículos que não são climatizados.

“A Prada morreu devido ao aumento da temperatura corpórea. Foi como perder um ente da família de uma forma brutal. Depois das postagens que minha filha fez em uma rede social vi muitos casos parecidos, mas que os tutores não tiveram forças. Moramos em uma cidade quente e com a temperatura de 43°C, 41°C. O mercado pet fatura milhões e representa 3% do PIB brasileiro e é o segundo maior mercado do mundo. O que eu vim pedir é a adequação do compartimento de carga que tenha uma temperatura adequada”, disse.

Amaral conta que funcionário do pet shop buscou a buldogue por volta das 9h para o banho que já era rotina. Por volta das 13h40, a cadela foi trazida de volta, mas já não era a mesma.

“O porteiro viu que ela não conseguia andar e estava com respiração ofegante e a língua roxa. Ele chegou a falor para o motorista, mas ele ignorou o fato e disse que isso era normal pela raça, que estava tudo bem”, relata.

Quando a filha de Anelise foi até a portaria do prédio, notou que o quadro era mais grave do que se pensava. “O motorista do pet shop foi embora e deixou ela naquele estado. Minha filha correu para levá-la na clínica, mas no meio do caminho ela teve a primeira parada”, detalha a médica.

No veterinário, equipe identificou que Prada apresentava quadro de hipertermia, com 41,7 graus, estava com saturação baixa, na casa de 40% e os pulmões estavam com líquido. Ela foi intubada, teve os pulmões aspirados, mas não resistiu e morreu pouco tempo depois de ser recebida.

“Era uma cachorra saudável, bem cuidada, nunca teve doença alguma, inclusive, tenho os últimos exames que não apontam nenhuma doença pré-existente”, afirma Anelise.

Boletim de ocorrência pelo crime de maus-tratos a animais foi registrado na Decat (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista), que investiga o caso.