A manhã desta terça-feira (18) continua movimentada na entrada do Tribunal do Júri, em Campo Grande, para o segundo dia do julgamento dos três acusados pela morte de Matheus Coutinho.

Além de muitos policiais reforçando a segurança nas imediações, estavam vários profissionais da imprensa e alunos de Direito. Antes das 8 horas, horário previsto para começar o segundo dia de julgamento, registramos fila para acompanhar os depoimentos.

Ana Letícia (Henrique Arakaki, Midiamax)

Entre os acadêmicos de Direito, estava Ana Lúcia Bonfim, que está cursando o segundo semestre. Ela disse que já participou de vários julgamentos, mas que este é o primeiro de grande repercussão e é muito importante para a formação dela e dos colegas que cursam Direito. “Muito importante porque a gente vê aplicação da teoria em prática. E como diz um professor da nossa turma, o Tribunal do Júri é a melhor sala de aula que aluno tem”.

Outra acadêmica de Direito que aguardava na fila era Rahadhja Davila, que está no 8º semestre do curso. A jovem disse que já participou de outros 3 julgamentos, mas que este é o primeiro de grande repercussão também. “Importante pra gente ver como serão os desenvolvimentos dos trabalhos. Serve como grande aprendizado e experiência para nossa carreira”.

Segundo dia de julgamento dos três acusados tem peça-chave da Operação Omertá

O segundo dia do julgamento de Jamil Name Filho, Vladenilson Olmedo e Marcelo Rios, pela morte de Matheus Coutinho, em abril de 2019, terá peça-chave da Omertà depondo tanto para Name como para Marcelo Rios. O primeiro dia de julgamento teve duração de mais de 9 horas.

Neste segundo dia do júri considerado da ‘década’, vão sentar no banco para depor Eliane Benitez Batalha, a peça-chave da operação desencadeada após o assassinato de Matheus, em 2019, filho do ex-militar Paulo Xavier, conhecido como ‘PX’.

Na época em que Marcelo Rios foi preso com a descoberta da casa das armas, Eliane prestou depoimento no Garras, onde chegou a ficar com os filhos. Ela relatou que o marido na época trabalhava para a família Name, e que estava preocupado com o assassinato por engano de Matheus, já que o alvo era o ‘PX’.

Eliane ainda detalhou que pegou conversas do marido que tinha como missão entregar dinheiro a um delegado para atrasar as investigações de Ilson Figueiredo, morto na Avenida Guaicurus, com vários tiros de fuzil. O delegado Márcio Shiro Obara era quem estava à frente do caso, já que na época era titular da DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa), que depois passou a ter como titular, o delegado Carlos Delano, que participou da Força-Tarefa da Omertà.

Ainda irão prestar depoimento na manhã desta terça-feira (18), Orlando de Oliveira Araújo, conhecido como Orlando Curicica, ex-PM e chefe da milícia no Rio de Janeiro. Ele foi condenado mês passado a 25 anos de prisão pela morte de Carlos Alexandre, conhecido como ‘O Cabeça’, líder comunitário da região de Jacarepaguá.

Para Jamil Name Filho, irão prestar depoimento um advogado, um psiquiatra e Eliane Benitez Batalha. Para Marcelo Rios serão Eliane Batalha e Orlando de Oliveira de Araújo e para Valdenilson Olmedo, duas testemunhas, entre elas um policial civil.

1º primeiro dia e julgamento

No encerramento do júri desta segunda-feira (17) a rua do lado de fora do Tribunal foi fechada até que a movimentação acabasse. Policiais armados dentro de fora do plenário faziam a segurança de todos.

Entre as testemunhas estão a delegada Daniela Kades, ouvida pela manhã. Já à tarde prestaram depoimentos os delegados Tiago Macedo e Carlos Delano. Depois foi ouvido Paulo Xavier, pai de Matheus e o investigador da Polícia Civil, Jean Carlos de Araújo e Silva, que também participou da Operação Omertà.

Em vários momentos durante os depoimentos, os réus ouviram de cabeça baixa. Eles deverão ser interrogados por último, ao final da última testemunha, que somam 16.

Devido à complexidade do caso, que conta com 15 mil páginas de processo e por conta da quantidade de testemunhas, o julgamento deve ser encerrado com resultado apenas na quinta-feira (20).

Durante esse primeiro dia, houve desentendimentos entre defesa dos réus com pelo menos dois delegados que participaram da investigação do caso.

Os depoimentos relembraram a motivação para o crime, que seria uma suposta traição do pai da vítima em relação aos réus.