A Defensoria Pública assumiu a defesa de Carlos Fernandes Soares, réu por matar Márcia Catarina Lugo Ortiz em 2021. A sete dias do julgamento, a defensoria se manifestou pedindo o adiamento da sessão do júri por conta do pouco tempo hábil para tomar ciência do processo.

Segundo consta no pedido da defensoria, o caso é de complexidade peculiar, que contém grande volume de documentos, depoimentos, perícias que resultou na imputação de homicídio com três qualificadoras, ocultação de cadáver e fraude processual, além de 42 depoimentos na fase policial, 19 em juízo e pelo menos 122 mídias audiovisuais, totalizando 1.888 páginas de processo.

“Como se vê, não haverá tempo hábil para a análise integral e pormenorizada do processo, e sequer haverá tempo de ter contato com o acusado, o que impossibilita o exercício da defesa em sua forma plena, ainda mais quando se verifica que o acusado foi atendido na primeira fase do processo por advogado constituído nos autos, sendo o caso dos autos inédito para este subscritor”, diz a defesa.

O juiz aceitou o pedido e redesignou a sessão desta quarta-feira (27) para outra data ainda a ser analisada.

(Foto: Leonardo de França – Arquivo Midiamax)

Caso

Carlos era amigo da família e de Márcia, inclusive confidente dela. Em algumas ocasiões, trabalhava como motorista para a vítima.

O rapaz matou a amiga após atraí-la para supostamente flagrarem ações do marido da vítima, que é policial civil aposentado. No trajeto, em uma SW4 alugada por ele, atirou na cabeça de Márcia e depois desovou o corpo embaixo de uma ponte em Campo Grande.

Ele ainda levou o veículo em um lava jato, serralheria e tapeçaria para arrumar os danos causados pelo tiro.

Dias depois, foi preso em um hotel em Dourados. Ele havia feito várias transferências bancárias, além de compras com um cartão da mulher. Tentou ainda levar juiz e peritos ao erro.