Claudineia Brito da Silva, de 49 anos, deixa três filhos e a sensação de impunidade, conforme relato do irmão, que preferiu não se identificar. A mulher foi assassinada pelo companheiro, de 41 aos, com uma facada no pescoço, no bairro São Francisco, em Campo Grade. A vítima não resistiu e morreu na noite de sexta-feira (13), na Santa Casa.

O irmão conta que o envolvimento com o assassino começou há cerca de quatro anos, entre idas e vindas do casal que tinha um relacionamento conturbado. A família descobriu recentemente que Claudineia havia registrado um boletim de ocorrência por violência doméstica contra ele.

“A família está toda abalada. Tem filhos entre 20 e 30 anos, meus pais idosos e a avó com mais de 90 anos, todos muito abalados. Descobrimos sobre o boletim, mas acabava sempre voltando”, desabafou.

Para família da vítima, Claudineia teria ficado irreconhecível pelo uso de bebida alcoólica e drogas que também envolvia o companheiro. Ele compareceu à Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) para pegar documentos e iniciar os tramites para o velório.

“Se pega uma foto dela de 9 anos atrás, não é a mesma pessoa. Estou dando meu depoimento para a imprensa porque espero por justiça, que outras mulheres não sejam vítimas. Parece que virou comum esse tipo de crime. Se a mulher ver que não dá mais certo, termina”.

Morta a facadas

Ela foi socorrida inconsciente e ferida na cama, no bairro São Francisco. O homem, que já estava foragido por um processo de violência doméstica, foi preso em flagrante na mesma região.

Equipe da Deam (Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher) confirmou que a mulher não resistiu aos ferimentos. O irmão da vítima explicou que Claudineia faleceu por volta das 18h.

A mulher sofreu cortes no pescoço, na região da nuca e devido à gravidade foi atendida pela Ursa (Unidade de Resgate e Suporte Avançado), sendo encaminhada para o hospital.

Durante o registro policial da tentativa de feminicídio, a polícia descobriu que havia um mandado de prisão aberto para o homem, mas não há detalhes sobre o crime pelo qual ele estava foragido.

Em 2010 ele já havia sido preso por violência doméstica em Campo Grande, o processo na justiça começou a correr em 2011, mas teve o prazo alterado duas vezes por conta de feriados e atualmente está suspenso.

*Com Ana Oshiro