Acontece nesta sexta-feira (15) o julgamento, por meio de Júri Popular, de Adilson Ocampos de Matos, de 38 anos. Ele é acusado de tentar matar a ex-companheira, no dia 22 de março do ano passado, no Jardim Canguru, região sul de Campo Grande. O réu responde por tentativa de feminicídio, lesão corporal e violência doméstica.

O casal teve relacionamento por mais de 10 anos e dois filhos. A primeira a ser ouvida foi a própria vítima. A pedido dela, Adilson foi retirado do Tribunal e acompanhou o depoimento da ex por meio de vídeo.

Ouvida como informante, ela disse que já estavam separados há três meses na época do crime, que constantemente era agredida verbal e fisicamente, com chutes, socos e até ‘capacetadas’. Falou ainda que nunca registrou Boletim de Ocorrência porque as outras duas ex-mulheres de Adilson tiveram que mudar de cidade, por medo dele, e que ela também tinha receio do que o agressor poderia fazer com ela. Mas, segundo a vítima, ela decidiu terminar o relacionamento por causa das ‘traições’ dele.

Por causa das crianças, a vítima disse que o acusado continuava indo na à sua casa e que no dia das agressões, ele teria saído pra buscar outro filho dele, que seria de outro casamento, para almoçarem juntos.

“Mas ele voltou e de repente quando eu vi, já tava com a faca na mão e meus filhos tentando me defender. Ele pegou no meu pescoço, levei facadas, principalmente nas mãos, na testa, perto do peito. Meu filho mais velho pegou um cabo de vassoura pra ajudar e levou uma facada também, enquanto outro filho meu, correu pra pedir socorro”, informou a vítima.

Faca usada no dia das agressões. (Ari Theodoro, Midiamax)

Ainda de acordo com ela, conseguiu se soltar e correu para a rua, quando uma vizinha ligou para a polícia e abriu o portão. “Parece que ele tinha obsessão de me matar, ainda veio atrás de mim, mas a vizinha abriu o portão, eu entrei e ela trancou o portão”. Atualmente, a vítima disse que faz tratamentos com psicólogo e psiquiatra, que os filhos ficaram traumatizados com a violência e que um deles também faz acompanhamento com psicólogo. 

Uma testemunha ouvida foi um Cabo da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul). Ele disse que a primeira preocupação foi dar socorro à vítima. “Se a gente não tivesse levado ela com urgência para UPA (Unidade de Pronto Atendimento), ela poderia ter morrido. De acordo com o médico, dava pra ver o crânio dela”, disse o Cabo da PM.

Versão do acusado

Desde o início das respostas ao juiz, Aluízio Pereira da Silva, negou que tentou matar a ex-companheira. Na versão dele, disse que sempre tiveram brigas, mas que nunca agrediu a ex e nem os filhos. “Ela tá mentindo inventando as coisas. Nunca tive passagem por agressão, só por ter atrasado uma pensão alimentícia”, disse o acusado. 

Acusado negou que tentou matar a ex-companheira. (Ari Theodoro, Midiamax)

No dia dos fatos, ele disse que chegou à casa da ex-companheira, que ela é quem teria começado a xingá-lo porque teria visto mensagens no celular de Adilson, conversando com um amigo, sobre uma mulher que o acusado teria ficado e traído a ex.

“Aí ela partiu pra cima de mim, mas eu consegui tirar a faca da mão dela e fiquei até com cicatriz na mão. Mas em nenhum momento, tentei matar ela. Peguei a faca e fui embora pra casa”, falou o réu.