Suposta vítima de assédio revela 'festinha particular' para empreiteiros com drogas, sexo e agressão

Sócios da ALS e BTG têm contratos milionários com órgãos públicos e foram citados por três das vítimas na Deam
| 03/08/2022
- 18:55
Suposta vítima de assédio revela 'festinha particular' para empreiteiros com drogas, sexo e agressão
ALS possui contratos milionários com órgãos públicos (Foto: Nathália Alcântara / Midiamax)

Uma 'festinha' em 2021 com sexo e agressão, além de drogas, implica dois dos principais empreiteiros em atividade no Estado e um servidor estadual no inquérito que investiga suposto esquema de prostituição e crimes sexuais em Campo Grande.

Segundo depoimento de três das meninas ouvidas pela Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), elas receberam entre R$ 1 mil e R$ 3 mil pela participação na ‘festinha particular’, realizada em uma fazenda na cidade de Coxim, a 253 quilômetros de Campo Grande.

Os depoimentos relatam o oferecimento de drogas ilícitas, sessões de sexo e agressão física contra uma das mulheres.

As revelações apontam suposto esquema de favorecimento à prostituição com uma rede de aliciamento para atender políticos, servidores públicos e empreiteiros que possuem altos contratos com diversos órgãos públicos em Mato Grosso do Sul.

André Luiz dos Santos, o 'Patrola', dono da ALS, e Sérgio José Joaquim Fenelon, sócio da BTG Empreendimentos, Locações e Serviços e titular de várias outras empresas, já foram alvo de intimações no inquérito. Além deles, figura entre os participantes um servidor público estadual.

Segundo o Jornal Midiamax apurou, os relatos já foram encaminhados para a DGPC (Delegacia-Geral de Polícia Civil), que deve encaminhar os desdobramentos das investigações em procedimentos específicos.

Os depoimentos das fazem parte do inquérito que investiga o ex-prefeito de Campo Grande e pré-candidato do PSD ao Governo do Estado, (PSD). Ele nega os crimes sexuais, mas admitiu adultério com ao menos duas das garotas. Segundo Trad, as denúncias seriam uma armação política para prejudicar a campanha dele para governador.

'Patrola': empreiteiro concentra obras e teria dito que 'gosta de bunda'

Uma das mulheres que compareceram na 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Campo Grande desde o dia 4 de julho para denunciar suposto assédio sexual no Paço Municipal contou na delegacia que teria conhecido André Luiz dos Santos no gabinete do então prefeito Marquinhos Trad.

Naquele dia, ela já teria sido assediada pelo empreiteiro, que teria dito: "Dá uma viradinha porque eu gosto de bunda".

A frase consta no depoimento da vítima ao qual o Jornal Midiamax teve acesso. Segundo o relato da mulher, após o constrangimento, então prefeito teria dito: "Agora o André vai cuidar de você e pode ir".

A vítima conta que após alguns dias da apresentação recebeu uma mensagem pelo WhatsApp para que ela comparecesse ao Aeroporto Santa Maria às 16h30, já que de lá partiriam para uma festa em uma fazenda, em Coxim. No local, teria participado de uma confraternização regada a sexo e agressão.

Segundo o relato, no avião estava um servidor público estadual e outras meninas que também foram para a ‘festinha’. Todos chegaram ao local por volta das 17h30, e lá ela viu que tinham outras mulheres e também estava o empresário Sérgio Fenelon.

Fenelon: drogas para festinha com sexo e agressão 

A vítima ainda afirma no depoimento que drogas eram distribuídas por Sérgio Fenelon e que uma das meninas foi agredida com um tapa no rosto, desferido pelo servidor público porque não estaria usando as substâncias, nem estaria 'animada'.

O homem, no entanto, teria 'pedido desculpas' após o ocorrido para a mulher. No local também havia outras mulheres, garotas de programa, segundo a vítima.

Na volta da festa, a depoente afirmou à polícia que recebeu R$ 1 mil pela participação na 'farra'. O dinheiro, R$ 3 mil no total, havia sido entregue por Sérgio Fenelon a uma das mulheres, para que fosse dividido entre elas.

O Jornal Midiamax entrou em contato com o empresário Sérgio Fenelon que se mostrou surpreso. Por telefone, ele negou até que tenha participado da festa e afirmou que nem chegou a ser intimado ainda.

“Essa história está me causando estranheza, sou empresário, trabalho bastante, tenho família. Totalmente contrário à minha vida”, garantiu Sérgio Fenelon.

Quando questionado sobre ter sido intimado para ser ouvido na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), o empresário disse desconhecer e que não havia recebido nenhuma intimação.

No entanto, fontes ligadas à Sejusp confirmam que desde o dia 21 de julho há uma ordem de intimação contra o empresário, emitida com decretação de sigilo.

Contra André Luiz dos Santos, no entanto, o sigilo não bastou para impedir que o empreiteiro acionasse um advogado pedindo acesso ao teor do inquérito a fim de se preparar antes de depor.

Ofício emitido pela Deam solicita encaminhamento para que os empresários e o servidor sejam investigados por favorecimento a prostituição, importunação sexual e vias de fato.

Conforme a Polícia Civil, todos os fatos narrados pelas vítimas são apurados e os três citados no episódio da 'festinha' já figuram como investigados. Sérgio Fenelon é investigado por oferecer droga eventualmente.

Patrola, Sérgio e o servidor estadual também são considerados suspeitos de favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual, crimes todos cometidos em Coxim.

O Jornal Midiamax tentou contato com o delegado-geral para saber se o servidor citado pelas vítimas que participaram da festa com sexo e agressão já responde a processo administrativo, mas ainda aguarda resposta.

Empreiteiros de peso nos contratos públicos de Mato Grosso do Sul

Sérgio José Joaquim Fenelon é sócio da BTG Empreendimentos, Locações e Serviços Eireli-ME - a empresa teve empenho em 2022 de R$ 51.825.729,05 em contratos firmados com Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), além de aproximadamente R$ 4,5 milhões em contratos com a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Público), também em 2022.

André Luiz dos Santos, conhecido como André Patrola, proprietário da empresa A.L.S., chegou a ser denunciado pelo MPMS por suposto pagamento de propina em troca de favores em contratos com o município de Campo Grande.

A reportagem tentou entrar em contato com André Luiz e sua defesa por telefone e também pessoalmente, mas até o fechamento da matéria não obteve resposta. O Midiamax reforça que todos seguem com espaço e oportunidade abertos para se manifestarem.

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