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Polícia

Peça-chave de operação contra Gravatas do PCC, advogado tem pedido de liberdade negado

Defesa tentou novo pedido em segundo grau para o advogado
Renata Portela -
Equipe do Gaeco durante a operação - Foto: Henrique Arakaki/Midiamax

Foi negado pedido de liberdade provisória, revogação da preventiva ou relaxamento da prisão para o advogado Bruno Ghizzi, alvo da Operação Courrier contra a Sintonia dos Gravatas, núcleo do PCC (Primeiro Comando da Capital) que compreendia advogados. Novo pedido, em 2º grau, foi feito nesta segunda-feira (9).

O pedido para o advogado foi negado pelo juiz Márcio Alexandre Wust, da 6ª Vara Criminal de Competência Residual, no último dia 5 de maio. O magistrado pontuou que a prisão foi decretada para assegurar a aplicação da lei penal, bem como garantia da ordem pública e conveniência da instrução criminal.

Já a defesa entrou com novo pedido, em segunda instância, alegando que não há elementos para fundamentar a prisão de Bruno, na conveniência da instrução criminal ou necessidade de assegurar a aplicação da lei penal, restando apenas a garantia da ordem pública — que os advogados dizem ser “conceito vago e indeterminado”.

Foi feito pedido de medida liminar nesta segunda-feira e é aguardada decisão.

Advogado usava senhas de servidores

Peça-chave das investigações da Força-Tarefa da Polícia Civil de MS e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) sobre a Sintonia dos Gravatas do PCC, Bruno Ghizzi — que é filho de defensor público de MS — tinha fontes para conseguir dados sigilosos.

Com servidores da de Mato Grosso do Sul e até funcionária de empresa de telefonia, ele obtinha informações privilegiadas que beneficiavam as ações em que atuava. Assessor jurídico na Defensoria em MS, citado em relatório do Gaeco, opinava a respeito de valores cobrados pelo escritório do advogado, para prestação de serviços, e inclusive elaborava documentos e procurações.

Ele também fazia consultas a cadastros públicos, como o CADSUS, sistema interno do local onde trabalha. O servidor não era concursado e, segundo a Defensoria Pública de MS informou à reportagem, foi desligado logo após a Operação Courrier. A exoneração foi publicada oficialmente no dia 30 de março.

Conforme o Gaeco, Bruno também conseguia informações sigilosas de empresas de telefonia celular por meio de uma funcionária do setor administrativo, que conforme consultado em página pessoal atua há mais de 10 anos no mesmo local.

Através dela, o filho do defensor público de MS conseguia números de telefone e cadastros de pessoas físicas. Outro servidor da Defensoria Pública de MS apontado no relatório do Gaeco fazia consultas ao banco de dados do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) para o investigado.

É esclarecido que o advogado, com “auxílio de terceiros, sistematicamente violaria o sigilo de dados de pessoas diversas, no Estado de Mato Grosso do Sul, para atender interesses pessoais”.

O Midiamax também já noticiou que um policial penal auxiliava Bruno Ghizzi. Em uma das ações, o servidor público teria agido a favor do advogado e do cliente, que estava preso. O policial penal teria articulado, em exame criminológico — de progressão de regime — a obtenção de um parecer favorável para livramento condicional do preso.

Assim que conseguiu sair, o preso foi jantar e tomar um chopp com o policial penal e o advogado.

Operação Courrier

A ação, denominada Courrier — correspondência —, cumpriu ao todo 38 mandados judiciais. Conforme o Gaeco, a operação mira o núcleo Sintonia dos Gravatas, célula em que advogados usam de suas funções para transmitir recados aos faccionados presos, daí o nome da operação.

Ainda de acordo com o Gaeco, o grupo criminoso estaria articulando atentados contra a vida de agentes públicos, entre eles um promotor do Gaeco e um juiz de de . Garras, Batalhão de Choque, Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e Gisp (Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário) também atuaram na operação.

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