Grupo comandado pelo ex-major Carvalho é alvo de operação da PF

Ex-major Carvalho foi preso no dia 21 na Hungria
| 06/07/2022
- 08:58
Grupo comandado pelo ex-major Carvalho é alvo de operação da PF
Carvalho, no momento da sua prisão, em Budapeste (Reprodução VMM, Lá Voz de Galícia)

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (6), as operações Catrapo e The Fallen, contra a organização criminosa responsável por tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e contrabando, que era comandada pelo ex-major de Mato Grosso do Sul, Sérgio Roberto de Carvalho.

O ex-major foi preso no dia 21 na Hungria. A Operação Catrapo cumpriu 28 mandados de busca e apreensão e 13 mandados de prisão temporária.

Os mandados foram expedidos pela 5ª Seção Judiciária do Mato Grosso – nos estados de Mato Grosso, São Paulo, Pará, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Amazonas, Paraná, Rondônia e Tocantins. Em Mato Grosso a PF cumpre mandados em Poconé, Cuiabá, Várzea Grande e Aripuanã.

As investigações

Durante as investigações foi identificado que a organização criminosa utilizava aviões para transportar cocaína, que vinha do Peru e da Bolívia para a Europa, utilizando Mato Grosso como local de depósito. A Polícia Federal interceptou duas toneladas de cocaína e identificou R$ 40 milhões em patrimônio durante a apuração.

Operação Fallen

A Operação The Fallen cumpriu 21 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão preventiva, expedidos pela Justiça Federal em Pernambuco, nos estados de Pernambuco, São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Bahia.

As investigações tiveram início em 2020, após a importação suspeita de peças de aeronaves portuguesas por uma empresa de Recife, que as introduziu no Brasil pelo porto de Itajaí. Após apurações conjuntas entre a PF, a Receita Federal e a ANAC ( Agência Nacional de Aviação Civil), foi constatado um esquema de contrabando de peças de aeronaves para o país para a utilização por narcotraficantes em atuação na fronteira.

Apura-se, ainda, a estratégia de lavagem de dinheiro montada pelo grupo criminoso, que se utilizava de empresas de fachada para movimentar valores no território nacional.

Além disso, eram usadas empresas com sede no exterior para viabilizar a compra de aeronaves fora do Brasil, as quais serviam à organização criminosa investigada e também eram cedidas para outros grupos criminosos.

Ex-major estava escondido na Europa

Major Carvalho foi preso pela primeira vez em 1997, quando já estava no quadro da reserva dos oficiais da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul). Ele foi militar por 16 anos e é considerado um dos mais poderosos e influentes traficantes da América do Sul.

O ex-major só foi expulso da PM 22 anos após ser preso por tráfico de cocaína pela primeira vez. A demissão foi publicada no do dia 7 de março de 2018.

O decreto assinado pelo governador (PSDB) informava que o major perdeu o cargo por consequência do trânsito em julgado de sentença judicial que determinou a expulsão.

Enterprise

A Operação Enterprise foi uma ação conjunta entre a Polícia Federal e a Receita Federal, deflagrada em novembro de 2020. Foi a maior operação do ano no combate à lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e a maior da história na apreensão de cocaína nos portos brasileiros. No dia 24 de novembro, a Polícia Federal divulgou o balanço. Entre os dados, está a confirmação da prisão de 40 pessoas, sendo três delas em outros países. 

Foram cumpridos mandados em Campo Grande durante a operação. Conforme a divulgação, a operação que tinha como objetivo combater a lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas prendeu 37 pessoas no Brasil. Também foi presa 1 pessoa no Panamá, 1 na Colômbia e 1 na Espanha. Ainda foram apreendidos 200 quilos de cocaína, além de 61 veículos, 5 motocicletas, 4 caminhões e 1 jet-ski. 

Já o patrimônio bloqueado, em imóveis, carros de luxo, joias e aeronaves, está avaliado em aproximadamente R$ 400 milhões. Só entre as aeronaves, foi realizado sequestro de 37, uma delas na Espanha, avaliada em US$ 20 milhões. Também foram apreendidas 16 armas de fogo, um simulacro e 507 munições. Já o dinheiro encontrado durante a operação totalizou R$ 1.141.002,00, US$ 169.352,00, € 9.000,00 e 1.120 Dirham (moeda dos Emirados Árabes Unidos).

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