Condenado a mais de 205 anos, serial killer Nando pode voltar a sentar no banco dos réus

Ele foi acusado de cometer 16 assassinatos em série
| 03/04/2022
- 07:42
Nando negou novamente todas as mortes no Danúbio Azul (Marcos Ermínio
Nando já foi a júri por todos os homicídios relatados (Arquivo, Marcos Ermínio) - Nando negou novamente todas as mortes no Danúbio Azul (Marcos Ermínio

Luiz Alves Martins Filho, 54 anos, o , pode voltar ao plenário do Tribunal do em Campo Grande para novo julgamento. Com mais de 205 anos de condenação por homicídios qualificados e ocultações de cadáver, Nando está preso desde 2016 e agora pode voltar a júri por recurso feito sobre uma absolvição.

Em 17 de maio de 2019, Nando foi absolvido pelo assassinato de Daniel Gomes de Souza Carvalho, o Danielzinho, morto em 2012 aos 17 anos. No entanto, foi condenado pela ocultação de cadáver. O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) recorreu da sentença, solicitando novo julgamento.

Em decisão do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), de outubro de 2020, foi definido que ele deve ser julgado novamente. No entanto, a Defensoria Pública, que atua em todos os casos de Nando, recorreu no STJ (Superior Tribunal de Justiça) e STF (Supremo Tribunal Federal). Ainda é aguardada decisão definitiva.

Nando foi condenado ao todo a 205 anos, 6 meses e 27 dias, penas das quais cumpriu até o momento 3%. Além da morte de Danielzinho, Nando também foi absolvido da morte de ‘Alemão’. O MPMS recorreu, mas a absolvição foi mantida.

Julgamentos e surtos

Preso que mais teria frequentado a cadeira de réu no Tribunal do Júri de Campo Grande, em uma ocasião Nando chegou a quebrar uma cadeira que estava dentro da cela. No primeiro júri em que esteve presente, Nando precisou ser levado para a cela e acabou batendo a cabeça na parede.

Após o surto, ele precisou de atendimento médico e foi levado pelo Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência). Já em outra situação, também na cela do Fórum, ele pegou uma cadeira que estava lá dentro e jogou contra as paredes e as grades, quebrando o móvel. Ele precisou ser acalmado por um policial que estava no local e reencaminhado para o presídio.

Em outra ocasião, quando precisou ser escoltado do presídio até o hospital, para trocar a sonda que usa, ele também teve um episódio de surto. Nando acabou autuado em flagrante por danificar uma cadeira na unidade hospitalar e também a viatura policial.

Serial killer do Danúbio Azul

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Nando indicou onde enterrava as vítimas (Arquivo, Midiamax)

Luiz Alves, o Nando, ficou conhecido como o serial killer do Danúbio Azul, bairro onde morava e de onde jovens começaram a ‘desaparecer’. O caso foi descoberto após a morte de Leandro Aparecido Nunes Ferreira, de 28 anos, o Leleco. Uma das testemunhas ouvidas na delegacia na época teria falado sobre os jovens que estavam sumindo do bairro.

A partir daí a Polícia Civil identificou um grupo de pessoas envolvidas nos assassinatos dos jovens, todos enterrados na região da Chácara dos Poderes. As investigações apuraram que Nando assassinava vítimas envolvidas com drogas e, consequentemente, com furtos na região, o que ‘irritava’ o réu.

Ele se posicionava como um justiceiro do bairro, que queria acabar com os furtos na região. Após a descoberta dos assassinatos e a prisão, Nando passou a acompanhar as equipes policiais nas buscas pelos corpos das vítimas. Algumas vítimas não chegaram a ser encontradas. As vítimas eram mortas por estrangulamento, em vários casos com ajuda de comparsas de Nando.

Entre as vítimas estão ‘Alemão’, Ana Cláudia Marques, 37 anos, Lessandro Valdonado de Souza, de 13 anos, Jenifer Luana Lopes, 16 anos, ‘Café’ que não teve o nome identificado, Ariel Fernando Garcia Lima Teixeira, 22 anos, Bruno Santos da Silva, o Bruninho de 18 anos, Flávio Soares Correia, 25 anos, Alex da Silva Santos, 18 anos, Jhenifer Lima da Silva, de 13 anos, Aline Farias da Silva, 22 anos, Valdelei de Almeida Junior, 20 anos, (vítima de tentativa de homicídio, mas morto anos depois em outro caso) Aparecida Adriana da Costa, 33 anos, Eduardo Dias Lima, 15 anos, Daniel de Oliveira Barros, 28 anos.

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