‘Acreditei nele, infelizmente’, disse esposa de serial killer em julgamento com marido em Campo Grande

Roselaine, esposa de Cleber de Souza, também é acusada do assassinato de José Leonel
| 06/04/2022
- 12:34
‘Acreditei nele, infelizmente’, disse esposa de serial killer em julgamento com marido em Campo Grande
(Henrique Arakaki, Midiamax)

Roselaine Gonçalves também está passando por julgamento, nesta quarta-feira (6), em Campo Grande, pelo assassinato de José Leonel Ferreira, morto com golpes de chibanca (ferramenta similar a uma picareta), em maio de 2020, por Cleber de Souza, o serial killer acusado de matar 7 pessoas na Capital. 

Durante o julgamento, Roselaine afirmou que acreditou no marido quando ele disse que havia comprado a casa, que era de José Leonel, já que segundo o serial killer, na época, o ‘havia enjoado do bairro e tinha se mudado’. 

Ela ainda chegou a questionar Cleber sobre os móveis que estavam na casa, e o serial killer teria dito que a irmã de José iria buscar. Roselaine ainda relatou que ficou sabendo do crime, quando a polícia chegou à residência, negando qualquer participação no assassinato.

Roselaine disse que tinha gostado da casa, mas falou para Cleber que não queria ficar lá porque não ia ter privacidade já que não havia divisões entre as casas. 

Golpes de chibanca x caldo de peixe

Durante o seu depoimento, Cleber falou que desferiu três golpes na cabeça de José Leonel, com uma chibanca que estava ao lado de uma máquina, já que achou que a vítima iria esfaqueá-lo após uma discussão que tiveram por causa de uma porta durante a reforma da casa.

Cleber revelou que os dois brigaram porque teriam feito um acordo, combinando que uma porta seria colocada para fazer a das casas, já que o serial killer iria morar nos fundos. Porém, com esta separação, Leonel ficaria sem varanda. Durante a reforma, a vítima acabou desistindo de separar a casa com a porta, o que gerou a briga. Logo após o assassinato, Cleber disse que saiu para tomar um caldo de peixe, voltando rapidamente para esconder o corpo, já que estava com medo de ser descoberto. 

Irmã de Leonel desconfiou

A professora Eurides Ferreira contou que Cleber pegou o celular de José Leonel e passou a mandar mensagens para dois irmãos do idoso se passando por ele, mas como as mensagens eram muito desconexas, ela desconfiou e foi até a casa da vítima para saber o que estava acontecendo, quando descobriu que ele havia sido assassinado. 

Apesar de Yasmin Natasha Gonçalves Carvalho, filha de Cleber, ter sido colocada em liberdade, Eurides acredita que tanto a jovem como Roselaine Gonçalves, esposa de Cleber, tenham participado do crime, mesmo as duas negando. Ainda segundo a professora, Roselaine teria confessado ter tido um relacionamento extraconjugal com José Leonel.

O corpo de Leonel só foi encontrado após a irmã procurar a DEH (Delegacia Especializada de Homicídios), um dia antes dele ser achado, para relatar o desaparecimento do irmão. Segundo ela, ele morava sozinho, mas sempre conversava com a família por mensagens, no entanto, há alguns dias não estava respondendo direito aos familiares.

Na época, ela relatou que foi até a casa do irmão, no dia 6 de maio de 2020, e encontrou pessoas que não conhecia no local. Um homem que estava lá disse que José tinha viajado para Fátima do Sul e teria alugado a casa para eles, por três meses. A mulher então ligou para a sobrinha, que desmentiu a história e disse que a última vez que conversou com José teria sido no dia 2.

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