Polícia

Réu na Omertà que teria negociado armas para o PCC no RJ ganha liberdade

Negociação foi identificada em conversas no celular

Renata Portela Publicado em 14/09/2021, às 15h30

Fotos encontradas em perícia no celular do réu
Fotos encontradas em perícia no celular do réu - (Reprodução)

Foi concedida liberdade provisória a Davison Ferreira de Farias Campos, réu no âmbito da Operação Omertà, preso na terceira fase em junho de 2020. Acusado de negociar venda de armamentos ilegalmente, ele foi solto com uso de tornozeleira eletrônica nesta terça-feira (14).

Conforme pedido de liberdade feito pelo advogado de defesa, William Maksuod, Davison foi denunciado em 6 de julho de 2020 por supostamente integrar organização criminosa e também pelo tráfico de armas de fogo. Em outubro, foi apresentada defesa prévia e todas as audiências de instrução e julgamento também foram realizadas.

Além disso, a defesa aponta que os interrogatórios também foram finalizados. Conforme a peça, é alegado que Davison não tem envolvimento com o crime em questão e é feito pedido de liberdade provisória, com substituição por medidas cautelares.

Em decisão, o juiz Roberto Ferreira Filho, da 1ª Vara Criminal, esclarece que o réu foi denunciado por compor o núcleo de apoiadores da organização criminosa, ou seja, sem posição de destaque ou posição privilegiada na hierarquia. Ele também não teria exercido ações violentas nem demonstra risco à instrução criminal.

Conforme o magistrado, Davison é réu primário, tem bons antecedentes, trabalho lícito e residência fixa. Assim, a manutenção da prisão preventiva se mostrou, atualmente, desnecessária. Foi determinada pelo juiz a liberdade provisória, mediante monitoramento por tornozeleira eletrônica.

O réu também deve comparecer periodicamente em juízo, não pode mudar de residência sem prévia comunicação ao juízo e nem se ausentar da comarca sem prévia autorização. Ele deverá cumprir recolhimento domiciliar e está proibido de manter contato com qualquer testemunha ou corréu do processo.

Negociação de armas

Segundo o documento do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), perícia no celular de Davison apontou conversa em que ele negocia a venda de armas para o Rio de Janeiro. Na ocasião, ele diz em um grupo do WhatsApp que é de Campo Grande e usa a sigla “1533”, referente à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Assim, começa a conversa com uma pessoa do Rio de Janeiro e fala sobre um fuzil 7.62. Além disso, afirma que comprava as armas em Ponta Porã e que venderia para qualquer região do Brasil. Também segundo Davison, cada armamento custaria entre R$ 15 e R$ 40 mil para chegar ao Rio.

Ainda conforme o Gaeco, Davison ostentava as armas ilegais, com fotos que enviava pelas redes sociais. As imagens também foram anexadas aos laudos da perícia. Além disso, logo após a segunda fase da Omertà, Davison troca mensagens com uma pessoa e fala que Lukinhas (Lucas Silva Costa) tinha sido um dos alvos.

Por fim, alega que a polícia não encontrou as armas dele e que a pessoa “não precisava esquentar”. Davison foi denunciado e se tornou réu por tráfico de armas.

Armagedom

O objetivo da terceira fase da Omertà foi de desbaratar organização criminosa atuante em Mato Grosso do Sul, especialmente na região de fronteira, dedicada à prática dos mais variados crimes. Segundo o Gaeco, são crimes como tráfico de armas, homicídios, corrupção e lavagem de dinheiro.

Com isso, naquele 18 de junho foram cumpridos pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assalto e Sequestro), com apoio do Batalhão de Choque, Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e GPA (Grupo de Policiamento Aéreo) 18 mandados de prisão preventiva e 2 mandados de prisão temporária. Também houve 20 mandados de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande, Ponta Porã, Ivinhema e, com o apoio do Gaeco de São Paulo, em Peruíbe.

Jornal Midiamax