Polícia

Motoentregador que matou colega após briga no WhatsApp vai a julgamento

Prints de conversas revelaram a briga dias antes do assassinato, em agosto de 2020

Thatiana Melo Publicado em 23/09/2021, às 10h44

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(Reprodução)

Vai a julgamento nesta sexta-feira (24), em Campo Grande, o motoentregador Bruno César de Carvalho, de 24 anos, acusado do assassinato de  Emerson Salles da Silva, de 33 anos, morto a tiros em seu local de trabalho, em agosto de 2020. 

Bruno se entregou seis dias depois quando foi decretada a sua prisão preventiva pelo juiz da 2ª Vara do Tribunal do Juri. Mensagens trocadas em WhatsApp revelaram uma briga fútil entre os colegas de trabalho antes do crime.

Conforme inicialmente apurado pela polícia, em uma das conversas, Emerson manda um áudio para Bruno falando sobre não ter gostado de ter de trabalhar no seu lugar, já que o autor teria mandado arrumar a motocicleta. Em resposta, Bruno diz em uma das mensagens “Larga mão de ser c*, vai trabalhar, eu preciso arrumar minha moto”.

Em seguida, outra mensagem é enviada por Emerson a Bruno: “Vamos ver se você é bravo mesmo, fodão”. O autor responde: “Só reclama, aqui não é Corumbá, não”.

Os dois continuam trocando ofensas e no dia do crime acabam entrando em vias de fato, trocando socos na lanchonete na Avenida Mato Grosso. Eles chegam a ser separados por funcionários, mas voltam a brigar e Bruno vai até a mochila e retira o revólver, avisando que está armado.

A defesa de Bruno, no decorrer do processo, sustentou que o motoentregador não foi o responsável por iniciar a discussão que culminou na morte. Segundo o advogado que representa o réu, Alex Viana, no dia do crime Bruno avisou os patrões que não poderia trabalhar porque sua moto estava estragada. Com isso, Emerson foi chamado pelos patrões para substituir Bruno. 

Em razão disso, segundo argumenta a defesa de Bruno, Emerson teria mandado mensagens de áudio para o colega de trabalho com ameaças.

Em seguida, pelas imagens divulgadas, é possível ver quando Bruno faz disparos contra Emerson, que se agarra à pilastra da lanchonete e cai no chão, sendo que neste momento o autor se aproxima e faz um disparo contra a cabeça de Emerson, que chega a ser socorrido, mas morre na Santa Casa.

Conforme as informações policiais, uma funcionária do local entrou em desespero e pede para que Bruno não atire contra Emerson, que ainda está vivo, mas de nada adianta. 

O assassinato

Um dia antes do crime, na quarta-feira, Bruno teria levado a motocicleta para arrumar e, por isso, avisou que Emerson trabalharia sozinho. Assim, os dois já tiveram uma primeira briga, em que trocaram xingamentos. Já na noite do crime, o autor estava conversando com um funcionário da lanchonete e perguntou se era Emerson quem iria lá. “Tomara que ele nem venha, se não ele vai ter o dele”, teria ameaçado o colega, momentos antes de Emerson chegar ao serviço.

Assim, logo que Emerson chegou ele e o colega iniciaram a discussão e depois começaram a se agredir. Com isso, os dois teriam trocado socos e ainda foram ‘apartados’ pelas pessoas que estavam ali, mas brigaram novamente.

Foi então que o entregador sacou a arma de fogo, que não se sabe ao certo se estava na cintura ou na mochila. Neste momento, ele fez os primeiros disparos e a dona da lanchonete implorava para que ele não matasse Emerson, conforme os relatos policiais. Mesmo assim, ele deu mais um disparo na cabeça da vítima. Essa questão também é rebatida pela defesa de Bruno, que afirma que a proprietária do estabelecimento só chegou ao local após o crime.

O que diz a defesa

Ao Jornal Midiamax, o advogado de Bruno afirmou que o réu sempre foia admirado "por colegas, amigos e patrões". Ainda em relação à motivação do crime, a defesa afirma que.

"O único motivo fútil que tem nos autos é motivo que o Emerson arrumou para fazer toda a briga e atacar de forma violenta e vil o Bruno. Isso tudo começou porque Emerson teria ficado bravo do patrão tê-lo o chamado para trabalhar na terça e quarta-feira, pois Bruno não poderia por conta de que a sua moto estragou, assim, Emerson foi como substituto. Se não queria trabalhar era só não ter ido, por isso foi fútil o motivo que ele arrumou para esbofetear Bruno. As testemunhas todas falaram que antes dos dois tiros Emerson agrediu verbalmente e fisicamente Bruno. Deste modo, está comprovado nos autos que Bruno agiu para se defender das agressões que Emerson deflagrou contra ele", completa a defesa.

*Matéria alterada às 17h16 para acréscimo de informação da defesa do réu.

Jornal Midiamax