Polícia

Ex-comandante da PMMS teria extorquido empresários a mando de sobrinho de Fahd Jamil

Cobrança ultrapassava os R$ 300 mil

Renata Portela Publicado em 26/05/2021, às 18h22

Coronel Ivan acompanhado do corregedor-geral
Coronel Ivan acompanhado do corregedor-geral - (Foto: Leonardo de França, Midiamax)

Além do coronel José Ivan de Almeida, ex-comandante da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul), foi preso nesta quarta-feira (26) Patrick Samuel Georges, sobrinho de Fahd Jamil, atualmente preso no Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros). Patrick seria o ‘dono’ do dinheiro que levou o grupo à prisão por extorsão.

Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, dois empresários passaram a ser extorquidos pelo coronel Ivan e também pelo policial civil aposentado, identificado inicialmente como Reginaldo. Os policiais estariam fazendo cobrança indevida para Patrick, ameaçando as vítimas há aproximadamente um ano.

Os empresários teriam feito um negócio com Patrick e teria sido gerada a dívida de R$ 80 mil. As vítimas foram cobradas, pagaram R$ 150 mil e continuaram sendo extorquidas. Atualmente, Patrick estaria cobrando mais de R$ 300 mil dos empresários, que acabaram levando o caso ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

Em operação com o Garras, foi feita a prisão em flagrante do trio. Os dois policiais foram presos na casa de uma das vítimas, enquanto faziam a cobrança. Também foi cumprida busca na casa do coronel Ivan.

Cobrança amigável

A defesa do coronel Ivan alega que não houve ameaça ou extorsão e que o oficial teria feito a cobrança após Patrick pedir o ‘favor’. Para o advogado Ronaldo Franco, o cliente disse que o credor, o dono do dinheiro que também foi preso, teria pedido um favor a ele para que fosse até o devedor fazer a cobrança. No entanto, ele alega que agiu de maneira ‘amigável’, sem ameaças nem extorsão, crimes pelo qual o coronel foi preso em flagrante.

Também conforme a defesa, o coronel teria orientado o devedor a resolver a situação entre advogados dele e do credor. Por ser oficial da reserva, o policial será encaminhado para o Presídio Militar e passa por audiência de custódia na quinta-feira (27). O advogado acredita que ele deve ser liberado, mediante aplicação de medida cautelar.

Extorsão

Segundo a polícia, coronel Ivan e o policial civil aposentado eram o ‘braço armado’ da ação, agindo mediante grave ameaça. Com isso, coagiam as vítimas e praticavam a extorsão. Além dos dois, o dono do dinheiro também foi preso e os três foram encaminhados para o Garras, onde foram interrogados.

Equipes também fizeram buscas na casa do coronel, onde teria sido apreendido um revólver calibre 38. Na casa de Patrick também teriam sido apreendidas armas de fogo. José Ivan de Almeida integrou a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul por mais de 20 anos. Atualmente na reserva, ele recebe mais de R$ 32,9 mil do Governo, conforme o Portal da Transparência.

Ele comandou a corporação pelo período de 2001 a 2006, durante o governo de Zeca do PT.  Conhecido como Coronel Ivan, ele foi eleito para seu primeiro mandato de deputado estadual com 11.980 votos em 2006, tendo sido votado em todos os 78 municípios de Mato Grosso do Sul. Nas eleições seguintes em 2010 não conseguiu se reeleger sendo nomeado no governo André Puccinelli.

Jornal Midiamax