Polícia

Embarcação que naufragou e matou 7 no Rio Paraguai não tinha autorização para transporte turístico

Embarcação era classificada na categoria barco de esporte e/ou recreio

Danielle Errobidarte Publicado em 23/10/2021, às 08h51

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(Foto: Divulgação/ CBMMS)

A embarcação que naufragou e resultou na morte de sete pessoas no Rio Paraguai,em Corumbá, no último dia 15, não tinha autorização para transporte turístico na Capitania dos Portos, da Marinha, e nem no Cadastur (Cadastro de Prestadores de Serviços do Turismo). A informação foi repassada pela Fundtur (Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul) nesta sexta-feira (22).

A Fundtur emitiu uma nota de solidariedade às famílias das sete vítimas, além de explicar sobre a regularização da embarcação. Segundo o diretor presidente, Bruno Wendling, a fundação acompanha as investigações da Polícia Civil e da Marinha.

"A embarcação que sofreu o acidente era de propriedade particular e classificada na categoria barco de esporte e/ou recreio, transporte empregado exclusivamente para atividades não comerciais", informou Wendling.

Ainda conforme explicado pela fundação, esta categoria não tem obrigatoriedade de ser cadastrada no Cadastrur, e por isso não pode atuar como barco-hotel ou similares. Estes são obrigados a se cadastrarem como meio de hospedagem e devem ser reconhecidos pelo Ministério do Turismo.

"O turista que deseja conhecer o Pantanal vai encontrar vários opções de barco-hotéis para uma viagem tranquila e sem preocupação. Na região pantaneira há inclusive barcos-hotéis de alto padrão, todos legalizados e cadastrados no Cadastur", finaliza o presidente.

A diretora-presidente da Fundação de Turismo de Corumbá, Elisângela Sienna da Costa Oliva, explica que as embarcações que transportam turistas são fiscalizadas por órgãos como Marinha, Anvisa, Secretaria Municipal de Saúde e Agência Portuária Municipal.

Ainda conforma a nota da Fundatur, "embora as causas do afundamento ainda sejam apuradas, o fenômeno meteorológico anormal é considerado como o principal causador do acidente".

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(Foto: Reprodução/ CBMMS)

Prazo de 90 dias

De acordo com a Marinha as investigações têm um prazo de 90 dias, prorrogável por mais 90. Deve ser apurado as responsabilidades do naufrágio que acabou na morte de sete pessoas. No dia em que a embarcação virou 21 pessoas estavam no barco. 

Na nota enviada, a Marinha relata que a CFPN (Capitania Fluvial do Pantanal), já intimou o representante dos proprietários da embarcação para a tomada de providências, como também, retirada do casco do barco do rio. 

Ainda a nota traz, “As causas e responsabilidades do acidente, sob o ponto de vista da Autoridade Marítima, serão apuradas por meio de Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN), a ser conduzido pela CFPN”.

Naufrágio x resgate

O corpo de Fernando Rodrigues Leão de 44 anos estava preso na embarcação e foi a última vítima a ser resgata neste domingo (17), pelos bombeiros. No barco estavam 21 pessoas e sete delas morreram.

Quatro dos sete ocupantes da embarcação que desapareceram após naufrágio na última sexta-feira (15) eram da mesma família. Geraldo Alves de Souza, Olímpio Alves de Souza, Fernando Gomes de Oliveira, Thiago Souza Gomes pescavam em Corumbá quando a tragédia aconteceu. Um amigo da família, Fernando Rodrigues Leão também estava a bordo e faleceu.

Todas às cinco vítimas são de Rio Verde (GO) e estavam em Corumbá para pescar. A Prefeitura de Rio Verde decretou luto oficial de três dias por conta do ocorrido. Os corpos dos irmãos Geraldo Alves de Souza, de 78 anos, e Olímpio Alves de Souza, de 71; Fernando Gomes de Oliveira, de 49 anos e o filho dele, Thiago Souza Gomes, de 18 anos, foram transportados por aeronave da FAB (Força Aérea Brasileira) até Goiás. 

O acidente aconteceu devido à chuva e fortes ventos que chegaram a 64 Km/h em Corumbá. O acidente ocorreu na região do Tagiloma, distante 5 km de Porto Geral. Um vídeo mostra pessoas em cima do casco da embarcação logo após o naufrágio.

Jornal Midiamax