Polícia

Asilo recebe ameaças após confusão com nome de instituição onde idosos eram maltratados

Casa de abrigo particular procurou a polícia

Renata Portela Publicado em 25/11/2021, às 14h17

Imagem ilustrativa
Imagem ilustrativa

Nesta quinta-feira (25), asilo particular que fica na Vila Planalto registrou boletim de ocorrência após sofrer várias ameaças de agressões e dano ao estabelecimento, tudo por uma confusão com o nome da casa de idosos denunciada por maus-tratos.A denúncia contra a casa de acolhimento pública foi feita na última semana e resultou no afastamento da diretora.

Segundo a proprietária do asilo particular, que não tem qualquer vínculo com a outra instituição, apenas nomes parecidos, várias pessoas fizeram confusão. Assim, populares deixaram de procurar os serviços do local, bem como fizeram ameaças, dizendo que quebrariam o asilo e agrediriam os funcionários.

Para as pessoas que telefonaram para o asilo, o fato foi esclarecido. O caso é tratado pela Polícia Civil como preservação de direito. O Jornal Midiamax não divulgou o nome das instituições, para não expor as possíveis vítimas de maus-tratos.

Afastamento da diretora

Foi determinado no dia 19 o afastamento imediato da diretora da ILPI (Instituição de Longa Permanência de Idoso), pela juíza Katy Braun, da Vara da Infância, Juventude e do Idoso. Além do afastamento, também foi determinada uma medida protetiva, sendo que a acusada deve manter distância de pelo menos 300 metros dos idosos.

O Jornal Midiamax apurou que a dirigente não está mais na instituição. Porém, não é descartado que ela faça o trabalho em home office, já que não há um pedido de afastamento do cargo, segundo a SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social).

No caso de pedido e afastamento do cargo, a Composição da Casa assumiria o asilo. Outro processo sobre as mesmas denúncias, um pedido de tutela de urgência, tramita na 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos.

Nessa quarta-feira (24), a SAS afirmou que acompanha todas as tratativas e deliberações do MPMS e do Poder Judiciário e uma equipe da Vigilância Socioassistencial da Gestão do Sistema Único de Assistência Social está no asilo para monitorar a execução do Serviço de Acolhimento Institucional — com intuito de preservar os direitos dos idosos acolhidos.

A denúncia

Consta na denúncia que gravações apontam abusos concretos contra dois idosos do local, sendo que uma das idosas possui demência e transtorno bipolar afetivo, e seria um dos alvos da servidora, que discriminaria os idosos com doenças psiquiátricas e em processo demencial.

O pedido de medida de proteção acabou se estendendo a todos os idosos que residem no asilo. De acordo com o documento, os idosos eram submetidos a tratamentos vexatórios, constrangedores e desumanos. Ainda segundo a denúncia, existem indícios fortes de que a dirigente negava atendimento médico necessário aos idosos com demência na tentativa de ‘livrar’ a instituição dos idosos que necessitavam de mais cuidados.

Em junho deste ano, familiares da idosa — vítima de maus-tratos na instituição — passaram a ser pressionados para que a mulher fosse retirada do asilo, após um surto e ter de ser encaminhada para o Caps.

A família da idosa, inclusive, teria recebido mensagens fazendo pressão para que a vítima fosse retirada da instituição, afirmando que a idosa não tinha contrato com o asilo. Um enfermeiro que trabalhou no local por sete anos, ainda quando a instituição tinha outro nome, confirmou os maus-tratos cometidos pela dirigente contra os idosos no local.

Ele disse que a dirigente não tinha tato e aptidão para lidar com idosos, sobretudo os que tinham patologia de ordem mental ou neurológica e praticava atos que os amedrontavam. Os episódios não eram casos isolados.

Jornal Midiamax