Polícia

Antes de encontrar Enerson morto em córrego, pai queria levá-lo para morar com ele

Ele já não via o filho há quatro meses

Renata Portela e Danielle Errobidarte Publicado em 18/06/2021, às 16h51

Família esteve no córrego e reconheceu Enerson
Família esteve no córrego e reconheceu Enerson - (Foto: Leonardo de França, Midiamax)

A notícia do desaparecimento de Enerson Santana Dionísio, de 47 anos, fez com que o pai Luiz viajasse de Coxim até Campo Grande com dinheiro emprestado de um amigo, na esperança de reencontrar o filho que não via há quatro meses. Enerson foi encontrado morto nesta sexta-feira (18), em um córrego nas margens do anel viário, na região do Itamaracá.

Ao Jornal Midiamax, Luiz contou que queria levar o filho para morar com ele, por pelo menos um mês, em Coxim. Trabalhador rural aposentado, ele mantém uma mercearia na cidade do interior e estava preocupado com o filho. Segundo ele, Enerson já tinha se casado anteriormente, separou e conheceu a ex-mulher na igreja.

A partir do relacionamento, ele decidiu se mudar para Campo Grande, para morar com a mulher. Foram dois anos juntos, até que o casal se separou há aproximadamente 7 meses. Para o pai de Enerson, o filho nunca demonstrou sinais de depressão. No entanto, isso mudou nesta semana, quando o homem enviou um áudio para uma parente, em que demonstrava estar bastante abalado.

Com a notícia do desaparecimento de Enerson, que saiu do trabalho às 12 horas de quinta-feira (17) e não foi mais visto, o pai decidiu viajar para Campo Grande. Com R$ 100 emprestados de um amigo, ele abasteceu o carro e, mesmo assim, ainda acabou ficando sem combustível na estrada. O veículo ainda foi guinchado até um posto e ele foi até a casa da irmã, também no Itamaracá, perto da residência onde Enerson vivia.

A esperança era de encontrar o filho e convencer que ele fosse morar com Luiz em Coxim, pelo menos por um mês. Caso não melhorasse, o pai queria que ele pedisse demissão e ficasse vivendo no interior. Luiz ainda contou que tem outros filhos e que a mãe de Enerson o deixou quando o filho ainda era criança, mas que eles ainda tinham contato.

Só na tarde desta sexta-feira, os familiares encontraram Enerson já sem vida no córrego. Um motorista que parou local encontrou o corpo submerso e acionou a polícia. O corpo foi retirado do local pelo Corpo de Bombeiros e, conforme o delegado João Reis Belo, da 4ª Delegacia, não foram observados sinais de violência na vítima.

A princípio o caso será investigado como morte a esclarecer.

Jornal Midiamax