Polícia

Advogado que matou ex-líder do PSL deixa cadeia com tornozeleira eletrônica

Fernanda foi encontrada em um canavial

Thatiana Melo Publicado em 20/10/2021, às 06h24

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Acusado de matar a ex-líder do PSL, Fernanda Daniele de Paula Ribeiro dos Santos, o advogado Alexandre Pessoa França, deixou o Presídio Militar nessa terça-feira (19), com o uso de tornozeleira eletrônica. Ele estava preso desde o dia 2 de maio deste ano.

Alexandre, que estava custodiado no presídio de Campo Grande, deixou a unidade prisional por volta do meio-dia para a colocação de tornozeleira eletrônica. A defesa do advogado não quis se pronunciar, segundo o site Jornal da Nova.

Troca de mensagens

Mensagens encontradas no notebook de Fernanda e ciúmes teriam sido motivos para o advogado Alexandre França ter assassinado a ex-líder do PSL, que teve o corpo encontrado em um milharal no dia 29 de maio próximo à Nova Andradina.

A polícia, que havia apreendido o notebook de Fernanda, encontrou mensagens que ela acabou trocando com outros homens, o que teria gerado ciúmes em Alexandre. O advogado havia prometido se casar com a vítima se desvinculando de sua ex-mulher. Inclusive, a ex-líder do PSL e o advogado mantinham um relacionamento de união estável, que havia sido registrado em cartório.

No notebook de Fernanda, foi encontrado print do contrato de união estável rasgado, acordo esse que chegou a ser divulgado por várias vezes nas redes sociais. Uma testemunha contou à polícia que, no dia do crime, Fernanda e Alexandre discutiram pelo telefone.

Na época do crime, uma testemunha contou que a briga teria ocorrido por causa da ex-mulher do advogado. “Alexandre e Fernanda sempre brigavam por telefone, principalmente pelo motivo da ex-mulher e ciúmes”, disse em depoimento à polícia.

Para a polícia, o advogado e a vítima possuíam um relacionamento estável há mais de ano, inclusive com contrato de união estável de convivência duradoura. “Percebemos que a vítima demonstrava um amor intenso pelo investigado, e, que por mais que ela rompesse o relacionamento, sempre perdoava o investigado, mesmo ele não cumprindo com as promessas feitas a ela”, diz a polícia no relatório investigativo.

Denúncia do MPMS

A denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) foi apresentada em junho deste ano, onde a acusação aponta que Alexandre matou a namorada, Fernanda, utilizando uma arma branca no dia 28 de abril, entre 18h30 e 19h30. O crime foi cometido com emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, inclusive se prevalecendo da condição de namorado para a prática do crime.

A investigação policial apurou, nas conversas obtidas em um dos celulares de Alexandre, que ele e a vítima marcaram um encontro naquele dia. Após o feminicídio, Alexandre ainda teria ocultado o cadáver da namorada em um milharal, sendo que o corpo só foi encontrado na manhã seguinte. Para o MPMS, o advogado inovou artificiosamente, alterando o estado de pessoa e coisas, com fim de induzir ao erro juiz e perito.

Isso porque ficou claro nas investigações que Alexandre tentou criar um falso álibi, enviando mensagens para Fernanda após ter cometido o crime. Também tentou limpar o carro usado no momento do feminicídio e trocou de roupas.

O MPMS concluiu que Alexandre golpeou Fernanda no pescoço, assim causando a morte da vítima. Depois, arrastou o corpo dela até a plantação de milho na beira da estrada. Ele ainda alterou o estado do corpo da vítima, limpando os antebraços dela e retirando os pertences que pudessem identificá-la.

Alexandre foi denunciado por homicídio triplamente qualificado, por emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e cometido contra mulher, por razão da condição do sexo feminino, em contexto de violência doméstica. Segundo a acusação, o casal já mantinha uma relação há mais de 1 ano e 8 meses e tinha contrato de união estável.

Jornal Midiamax