Polícia

#Retrospectiva2020: PCC iniciou nova guerra para retomar o controle da fronteira em MS

Já perto do final de 2020, em meados de novembro, o PCC (Primeiro Comando da Capital) iniciou nova guerra na região de fronteira entre Mato Grosso do Sul e Paraguai. A linha internacional voltou a ser local de sequestros e mortes por recompensas em dinheiro, tudo pelo controle do tráfico de drogas e armas. A […]

Renata Portela Publicado em 27/12/2020, às 07h30 - Atualizado às 12h09

Corpos foram encontrados em uma vala no Paraguai / Divulgação
Corpos foram encontrados em uma vala no Paraguai / Divulgação - Corpos foram encontrados em uma vala no Paraguai / Divulgação

Já perto do final de 2020, em meados de novembro, o PCC (Primeiro Comando da Capital) iniciou nova guerra na região de fronteira entre Mato Grosso do Sul e Paraguai. A linha internacional voltou a ser local de sequestros e mortes por recompensas em dinheiro, tudo pelo controle do tráfico de drogas e armas.

A disputa entre as organizações criminosas já conhecidas na região e a facção criminosa perduram desde a morte de Jorge Rafaat, em junho de 2016. Foi em novembro de 2020, no entanto, que novas ordens de matança e sequestro pelo PCC resultaram no assassinato e desaparecimento de pessoas e posteriormente até desencadearam operação da Polícia Federal.

#Retrospectiva2020: PCC iniciou nova guerra para retomar o controle da fronteira em MS
Rafaat foi executado na fronteira / Arquivo

A notícia de que a guerra teria recomeçado ocorreu em 24 de novembro, quando dois carros foram encontrados incendiados no Paraguai. Além dos veículos, a notícia do desaparecimento de quatro pessoas, ligadas a Fahd Jamil, conhecido como o ‘Rei da Fronteira’. Dois dias depois, os corpos dos desaparecidos foram encontrados em uma vala.

Este foi o primeiro sinal da retomada da disputa pelo controle da fronteira. Sites de notícias paraguaios chegaram a apontar que Ederson Salinas Benitez, sucessor de Sérgio de Arruda Quintilliano, o Minotauro, na liderança do PCC teria sido o responsável pela ordem de matanças.

‘R$ 10 mil por cabeça’

Além do ataque às quatro pessoas ligadas a Fahd Jamil, que foram sequestradas e mortas, a ordem que teria partido de liderança do PCC de um presídio era para que todos aqueles ligados a Jorge Rafaat Toumani fossem assassinados. Para os crimes, recompensa no valor de R$ 10 mil. A ordem ainda era de que fossem poupadas apenas mulheres e crianças.

#Retrospectiva2020: PCC iniciou nova guerra para retomar o controle da fronteira em MS
(Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)

Não demorou até que a matança chegasse a outras cidades. No dia 30 de novembro, Juliano Pereira, de 42 anos, foi executado na Gameleira, em Campo Grande. Na época, o Midiamax apurou que ele seria um sobrinho de consideração de Rafaat e em 2017 foi mandante do assassinato da ex-mulher e cunhada, após descobrir que elas estavam ligadas ao PCC.

No dia 4 de dezembro, Michel Antunes Pinto, de 35 anos, foi executado a tiros com a filha, de 9 anos. O crime aconteceu na região de Zanga Pytã (PY), fronteira com Sanga Puitã. Ele seria um dos envolvidos na morte do policial civil Wescley Vasconcelos, crime ocorrido em 2018, supostamente a mando de Minotauro.

Ação policial

Dias após o início da nova guerra do PCC, a Polícia Federal desencadeou a Operação Pêndulo, em que foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Ponta Porã. Ao todo foram três mandados que miravam em imóveis de pessoas ligadas ao narcotráfico e à disputa pelo comando da fronteira.

Foram 30 agentes federais atuando na ação, com objetivo de mapear e combater as organizações criminosas atuantes na área de fronteira entre Brasil e Paraguai.

Festas em Campo Grande

Apontado como novo líder do PCC na linha internacional, Ederson Salinas responde a um processo após ter sido preso por equipes policiais de Campo Grande durante ação em Ponta Porã. A prisão ocorreu em janeiro deste ano, mas ele ganhou liberdade provisória mediante cumprimento de medidas cautelares e pagamento de fiança de R$ 80 mil.

Agora, solicitou à Justiça que pudesse passar as festas de fim de ano em Campo Grande, de 20 de dezembro a 7 de janeiro. O pedido foi acatado, esclarecendo que Ederson tem comparecido mensalmente em juízo e cumprido com as medidas. O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), mesmo após ter apontado Salinas como líder do PCC e de alta periculosidade, também não se opôs ao pedido.

A defesa do réu afirma que ele nunca exerceu função de chefia de organização criminosa. Tal fato foi apresentado em um expediente da Polícia Federal, logo após a prisão de Ederson. Ele usava nome falso, tendo falsificado documentos em um cartório de Mato Grosso do Sul. No dia da prisão, ele se apresentou como Edson Salinas Barboza.

Jornal Midiamax